EFE/EPA/BILL INGALLS / NASA /
EFE/EPA/BILL INGALLS / NASA /

Nave Soyuz é lançada rumo à estação espacial

Dois astronautas participarão de missão de um ano na Estação Espacial Internacional, que fica em órbita a 350 km de altitude

Fábio de Castro, O Estado de S. paulo

27 Março 2015 | 17h47

Atualizada às 18h36

Dois astronautas foram enviados nesta sexta-feira, 27, pela Nasa, para uma missão de um ano na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) - a mais longa já realizada no laboratório espacial que fica em órbita a 350 quilômetros de altitude. Em geral, as missões à ISS duram de quatro a seis meses, mas o norte-americano Scott Kelly, de 50 anos, e o russo Mikhail Kornienko, de 54 anos, que partiram por volta das 19 horas (no horário de Brasília) do Casaquistão, só voltarão para casa em março de 2016. 

O objetivo principal da missão é científico: estudar os efeitos da microgravidade no corpo e na mente humana em períodos extensos. A compreensão desses efeitos é considerada fundamental para o planejamento das missões de longa duração projetadas pela Nasa, incluindo a ida a Marte, que poderá durar mais de 500 dias. Enviados na nave Soyuz, acompanhados do cosmonauta russo Gennady Padalka - que comandará a ISS pelos seis primeiros meses da viagem -, os dois astronautas levaram cerca de seis horas para chegar à ISS. 

Entre 1987 e 1999, quatro russos já ficaram mais de um ano no espaço. Mas agora, com a tecnologia avançada dos recursos científicos da ISS à disposição, pela primeira vez será possível estudar profundamente a reação e capacidade de adaptação dos astronautas às condições de um voo espacial de longa duração. Os cientistas esperam também que o conhecimento obtido na missão seja usado, por exemplo, para ajudar pacientes que se recuperam de longos períodos de cama, ou para aprimorar o monitoramento de pessoas cujo organismo é incapaz de lutar contra infecções.

A longa exposição ao ambiente de gravidade-zero, segundo os cientistas, pode afetar o corpo humano de múltiplas formas. Os sintomas físicos podem incluir modificações nos olhos, atrofia dos músculos e perda de massa óssea. A missão também deverá contribuir para o estudo dos efeitos psicológicos do isolamento em espaços pequenos.

Estudos funcionais avaliarão a performance dos membros da tripulação antes e depois da missão de um ano. Os astronautas também serão submetidos a estudos comportamentais, com monitoramento de seus padrões de sono e de suas rotinas de exercícios. Para estudar os efeitos na capacidade visual, serão medidas as mudanças da pressão no interior do crânio dos tripulantes. Também serão feitas pesquisas metabólicas, para examinar o sistema imunológico e os efeitos do estresse. Pesquisadores também irão monitorar as modificações na população de micróbios nos organismos dos astronautas.

Enquanto Scott Kelly estiver no espaço, seu irmão gêmeo idêntico - o astronauta aposentado da Nasa, Mark Kelly -, participará de diversos estudos genéticos comparativos. Os experimentos irão desde a coleta de amostras de sangue até testes físicos e psicológicos. Os cientistas acreditam que esses testes ajudarão a rastrear qualquer tipo de degeneração ou evolução que ocorra no corpo do astronauta, por conta da longa exposição ao ambiente de gravidade-zero. Todas as pesquisas realizadas pelas equipes de tripulantes da Rússia e dos Estados Unidos serão compartilhadas pelos dois países.

De acordo com Padalka, a prova mais difícil para Kelly e Kornienko não será física, mas psicológica. Kelly, que faz sua quarta viagem ao espaço, é divorciado e tem dois filhos. Kornienko é casado e tem uma filha.

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