Mary P. Wiliams
Mary P. Wiliams

Nova espécie de dino era eficaz na caça graças a olfato apurado

Fóssil foi confundido com espécie já conhecida; nova análise mostra que animal era parente desconhecido do velociraptor

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

13 Maio 2015 | 18h17

Cientistas descobriram uma nova espécie de dinossauro estreitamente relacionada ao velociraptor, popularizado no filme Jurassic Park. A espécie, que viveu há cerca de 75 milhões de anos, possuía um olfato apurado que provavelmente o tornava um predador eficaz.    

O espécime fóssil havia sido encontrado em 1999, no Novo México, Estados Unidos, pelo paleontologista Robert Sullivan. No entanto, na primeira descrição feita por cientistas da Pensilvânia, o réptil foi classificado como um Saurornitholestes langstoni, uma espécie de dinossauro terópode da família dos dromessaurídeos, que já havia sido encontrada antes no Canadá. Agora, em uma nova análise Steven Jasinski, um estudante de doutorado da Universidade da Pensilvânia, comprovou que o fóssil - um pedaço de crânio de dinossauro - pertencia a uma espécie ainda desconhecida, que ele batizou como Saurornitholestes sullivani.

A descrição do S. sullivani foi publicada no Boletim Científico do Museu de História Natural do Novo México.

Quando Jasinski inicou uma análise comparativa do espécime com outros fósseis de S. langstoni, ele encontrou diferenças sutis. A principal delas é que a superfície do crânio que corresponde ao bulbo olfativo do cérebro é surpreendentemente grande. Essa descoberta indica que o animal tinha um olfato poderoso.

"Essa característica significa que o Saurornitholestes sullivani tinha um sentido do olfato melhor em relação a outros dromessaurídeos, como o velociraptor, o dromessauro e o bambiraptor. Esse olfato apurado pode ter feito deste animal um predador temível", afirmou Jasinski. 

Características. O novo dinossauro não era grande: tinha cerca de 90 centímetros até o quadril e cerca de 1,8 metro de comprimento. No entanto, com base em outras espécies próximas, os cientistas acreditam que o animal deve ter sido muito ágil e rápido. Possivelmente caçava em bandos utilizando seu olfato agudo para rastrear as presas. "Embora não seja grande, não era um tipo de dinossauro com o qual você gostaria de se meter", disse Jasinski.

O Saurornitholestes sullivani existiu no fim da era dos dinossauros, no Cretáceo Superior. Ele representa o único dromessaurídeo desse período nessa parte da América do Norte, que na época era dividida em dois continentes separados por um mar interno. O novo dinossauro vivia na costa oeste, em uma área conhecida como Laramídia.

Diversos dromessauros, popularmente chamados de raptores, são conhecidos em áreas mais ao norte da Laramídia, incluindo as regiões onde hoje ficam os Estados de Alberta (Canadá) e Montana (Estados Unidos). No entanto, o novo dinossauro representa o único dromessaurídeo do Cretáceo Superior no sul da Laramídia.

Mais conteúdo sobre:
Novo México

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.