MARK THIESSEN/NATIONAL GEOGRAPHIC
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Nova espécie do gênero humano é descoberta na África do Sul

'Homo naledi' foi encontrado em 2013 em uma caverna chamada Rising Star ('estrela ascendente'), próximo a Johannesburgo

EFE

10 Setembro 2015 | 08h27

JOHANNESBURGO - Uma equipe internacional de cientistas descobriu pela primeira vez o Homo naledi, uma nova espécie de hominídeo que tem características do pré-humano Australopithecus e poderia ser a espécie mais antiga do gênero Homo

Homo naledi foi descoberto em 2013 em uma caverna chamada Rising Star (estrela ascendente) na África do Sul (perto de Joanesburgo) e seus restos estavam entre mais de 1.550 fósseis, o que torna este sítio um tesouro paleontológico. Neste lugar foram encontrados 15 indivíduos da mesma espécie, o que permitiu documentar e descrever o esqueleto do Homo Naledi com muitos detalhes. A descrição completa desta nova classe de homem foi publicada nesta quinta-feira, 10, na revista eLIFE.

"Homo naledi é um mosaico de formas, ou seja, tem um tronco com forma de funil, não em forma de barril como é dos homens atuais, mas parecido com uma pirâmide, uma característica do Australopithecus ou dos grandes símios, como o chimpanzé", disse o pesquisador do Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN) da Espanha e co-autor do estudo, Markus Bastir.

Além disso, "tem um crânio pequeno, com a forma dos primeiros representantes do gênero Homo, como o hábilis e o erectus, e uma capacidade craniana muito pequena, aproximadamente um terço do que ocupa nosso cérebro atual", acrescenta.

No entanto, ainda que muito robusto e com tronco e crânio primitivos, seus membros são "praticamente idênticos aos dos humanos modernos". Suas mãos são capazes de lidar com objetos que os homens possuem agora, mas seus dedos e falanges são curvas, o que, segundo os especialistas em anatomia, significa que a espécie seria adaptara para viver em árvores. Ao mesmo tempo, "tanto os ossos do pulso quanto da palma são muito modernos, indicando que, apesar de não haver ferramentas encontradas no local, com esta anatomia, ele poderia usá-las perfeitamente", disse o pesquisador.

"Os pés são também como os nossos, exceto que os dedos são ligeiramente curvados, o que significa que estariam adaptados para viver nas árvores e na terra". Em conjunto, este homem, de 1,50 metro e uns 50 quilos, tem características de Australopithecus, mas é mais gracioso do que esta espécie, que se aproxima do homem.

Os especialistas ainda não se atrevem a datar o fóssil, já que a ausência de outros animais complica a análise. No entanto, "uma equipe de paleontólogos está analisando o depósito de sedimentos para uma estimativa", diz Bastir. "Com base na morfologia, as análises situam este fóssil como um dos primeiros homens - de  2,5 milhões de anos - e, se for mais recente (de menos de um milhão de anos), seria a prova da coexistência na África de espécies do gênero Homo muito distintas entre si, destaca o investigador.

"Estamos diante de uma grande oportunidade de obter informações que permitirão reconstruir nossa história evolutiva complexa e esclarecer algumas questões, tais como se os 15 corpos do depósito foram deliberadamente colocados por seus pares na câmara de Dinaledi", disse ele. Para descobrir todos os segredos de seu aparecimento, o governo sul-africano organizou, em 2014, um workshop intitulado Rising Star, em grande parte financiado pela National Geographic, o que permitiu que cientistas de todo o mundo e de todas as especialidades pudessem compartilhar dados. 

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