TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Oceanos receberam 8 milhões de toneladas de plástico só em 2010

Estudo indica que até 9,1 mi de toneladas serão lançadas no mar em 2015; em uma década, total  acumulado pode crescer 10 vezes

FÁBIO DE CASTRO, O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2015 | 18h48

SÃO PAULO - Cerca de 8 milhões de toneladas de lixo plástico foram lançadas nos oceanos somente no ano de 2010, de acordo com um estudo publicado hoje na revista Science. Segundo os autores, a quantia é equivalente a cerca de 15 sacolas de supermercado cheias de lixo plástico amontoadas a cada metro de praia do planeta.

Os cientistas calculam que a quantidade total de plástico acumulada nos oceanos poderá crescer dez vezes na próxima década, caso a comunidade internacional não aprimore suas práticas de gestão de resíduos sólidos.

Em 2010, ano-base para o estudo, foram produzidas 275 milhões de toneladas de plástico nos 192 países banhados pelos oceanos. Desse total, 8 milhões de toneladas foram parar no mar.

Segundo uma das autoras, Jenna Jambeck, da Universidade da Geórgia (Estados Unidos), o modelo também permitiu fazer projeções sobre a futura entrada de plástico nos ocenos. "A quantidade cresce a cada ano. Nossa estimativa é que em 2015 sejam lançadas nos oceanos 9,1 milhões toneladas de plástico", afirmou a cientista. O plástico que termina lançado ao mar, segundo o estudo, é produzido em áreas que ficam a até 50 quilômetros dos litorais.

Em 2025, de acordo com Jenna, o despejo de plástico nos oceanos poderá ser o dobro do que foi calculado em 2010: o equivalente a 30 sacos cheios de plástico a cada metro de litoral dos 192 países. "Com isso, a quantidade acumulada de plástico em 2025 chegaria a 155 milhões de toneladas" disse. Cálculos feitos pelo Banco Mundial indicam que a produção de resíduos plásticos deverá continuar crescendo pelo menos até 2100..

Até agora, de acordo com os cientistas, para calcular a quantidade de poluição plástica nos oceanos era preciso navegar em alto mar, rebocando redes de plâncton, e contar cada pedaço de plástico coletado - um trabalho caro, enfadonho e nem sempre eficiente. Para realizar a nova pesquisa, os cientistas utilizaram uma nova abordagem. Eles estudaram todos os caminhos que o plástico percorre desde a fabricação até chegar ao mar.

O estudo levou em conta dados sobre a produção do plástico, sobre a densidade populacional e sobre a qualidade dos sistemas de gestão de resíduos sólidos de cada um dos 192 países costeiros. Com isso, foi possível desenvolver modelos matemáticos capazes de estimar a contribuição anual de cada um dos países para a poluição marinha por plásticos.

Segundo o estudo, o lixo que não é coletado ou se perde nos sistemas de gestão de resíduos é a maior fonte de plástico dos oceanos. Para enfrentar o problema, os cientistas recomendam que os países reduzam a produção de plástico, aprimorem a infraestrutura de gestão de resíduos sólidos e invistam em novos métodos de captura do lixo na superfície dos oceanos.

O estudo também identificou as maiores fontes de emissão de plástico para o mar, produzindo um ranking de 20 países mais poluidores, liderado pela China. Juntos, os 20 países produzem 83% do plástico sem gestão de resíduos, que pode chegar aos oceanos. A lista inclui Indonésia, Vietnã, Tailândia, Sri Lanka, Filipinas e, em menor grau, Estados Unidos, Brasil, Índia, Paquistão, Bangladesh, Myanmar, Malásia, África do Sul, Egito, Nigéria, Marrocos, Argélia, Egito e Turquia.

Embora milhões de toneladas de plástico tenham entrado nos mares anualmente nos últimos 40 anos, segundo os pesquisadores, os estudos feitos até agora apontam que a quantidade total de plástico à deriva nos oceanos é de "apenas" 245 mil toneladas, no máximo. Essa disparidade indica que os cálculos anteriores podem ter subestimando a quantidade de plástico nos oceanos, segundo uma das autoras do novo estudo, Kara Lavender Law, da Sea Education Association. "Há muito plástico acumulado também no fundo dos oceanos e nas praias de todo o mundo. Por enquanto, só temos medido o plástico que boia na superfície - e em relativamente poucas localidades", disse Kara.

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