Maurizio Brambatti/Reuters
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Papa Bento XVI diz que acabar com a fome é direito à vida

Pontífice direcionou afirmação ao diretor da ONU para a Agricultura e a Alimentação (FAO), Jacques Diouf, durante passagem pela Jornada Mundial da Alimentação de 2011

Efe,

17 Outubro 2011 | 10h31

CIDADE DO VATICANO - O papa Bento XVI afirmou nesta segunda-feira, 17, que "a libertação da submissão da fome é a primeira manifestação concreta do direito à vida", que, apesar de ter sido proclamada solenemente, "está muito longe de ser alcançada".

A afirmação do papa foi direcionada ao diplomata Jacques Diouf, diretor da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) durante a Jornada Mundial da Alimentação de 2011.

 

Em alusões às imagens dolorosas das inúmeras vítimas da fome no nordeste da África, o papa Joseph Ratzinger afirmou que as mesmas "ficaram gravadas em nossos olhos e que, a cada dia, mais um capítulo é somado nessa catástrofe humanitária mais grave dos últimos anos".

 

O pontífice pediu às organizações de ajuda internacional que não se limitem ao imediatismo nos casos de emergência, pois "é necessário também intervir no médio e longo prazo".

 

Bento XVI afirmou que o trabalho agrícola não pode ser considerado como uma atividade secundária, mas como "o objetivo de toda estratégia de crescimento e desenvolvimento integral". Segundo o papa, atualmente há um contínuo abandono das áreas rurais, "com uma diminuição global da produção agrícola e, portanto, das reservas alimentícias".

 

Segundo o papa, apesar de vivermos em uma dimensão global "há sinais evidentes da profunda divisão entre os que precisam do sustento cotidiano e os que dispõem de recursos de sobra, usando frequentemente com fins alheios à alimentação e, inclusive, destruindo-os".

 

Diante da magnitude do drama da fome, Bento XVI afirmou: "não basta convidar à reflexão, analisar os problemas e não termos disponibilidade de intervir e discursar. São frequentes as tentativas de justificar os comportamentos e omissões ditados pelo egoísmo e pelos interesses particulares", completou o papa.

 

Em relação à Jornada, Bento XVI afirmou que o evento deveria ter "o compromisso de modificar as condutas e decisões para garantir que todas as pessoas tenham acesso aos recursos alimentícios necessários, além do setor agrícola, que deve dispor de investimentos e recursos capazes de dar estabilidade à produção e ao mercado".

 

Trata-se definitivamente "de assumir uma atitude interior de responsabilidade, capaz de inspirar um estilo de vida diferente, com sobriedade necessária sobre o comportamento e o consumo, para favorecer assim o bem da sociedade".

 

O papa ainda adiantou que todas as medidas citadas também devem ser válidas para as gerações futuras, que devem priorizar a sustentabilidade, a tutela dos bens de criação, a distribuição dos recursos e, principalmente, o compromisso concreto pelo desenvolvimento dos povos e das nações.

 

"Essas medidas só poderão ser alcançadas se as instituições internacionais garantirem um serviço com imparcialidade e eficácia, respeitando plenamente as convicções mais profundas da alma humana e as aspirações de toda pessoa", concluiu o papa. 

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