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Papa pede vontade política para terminar com o conflito sírio

PHILI - Reuters

13 Janeiro 2014 | 13h 21

O papa Francisco pediu nesta segunda-feira uma renovada vontade política para terminar com o conflito na Síria e lamentou a "indiferença geral" em relação ao sofrimento dos refugiados ao redor do mundo.

No seu primeiro discurso especial sobre o estado do mundo para diplomatas de 180 países acreditados no Vaticano, Francisco também expressou preocupação com a violência no Líbano, no Iraque, no Egito e em partes da África.

"O que é necessário no momento é uma renovada vontade política para terminar com o conflito", disse o papa sobre a guerra civil síria, que já deixou mais de cem mil mortos, obrigou a fuga de mais de dois milhões de sírios para o exterior e deslocou outros quatro milhões internamente no país.

"Ao mesmo tempo, o respeito total pelas leis humanitárias continua essencial. É inaceitável que civis desarmados, especialmente crianças, tornem-se alvos", afirmou Francisco.

Na fala anual, o líder dos 1,2 bilhão de católicos do mundo disse esperar que a conferência Genebra 2, marcada para 22 de janeiro e mediada pela Organização das Nações Unidas, "marque o início do desejado processo de paz".

Ele lamentou que muitos no Oriente Médio e na África estejam vivendo como "refugiados em campos onde eles nem são mais vistos como pessoas, mas como estatísticas sem nome".

Segundo o papa, o mundo se esqueceu dos que arriscam as suas vidas em embarcações precárias na tentativa de buscar uma vida melhor na Europa.

Em outubro, 366 eritreios se afogaram num naufrágio perto da ilha italiana de Lampedusa. As chegadas pelo mar na Itália de embarcações provenientes do norte da África mais do que triplicaram em 2013, alimentadas pela guerra síria e pelos conflitos na região do Chifre da África.

"Infelizmente, há uma indiferença geral diante dessas tragédias, o que é um sinal dramático da perda daquele senso de responsabilidade pelos nossos irmãos e irmãs, que forma a base de toda sociedade civil", declarou o papa.

Ele também falou dos conflitos no Oriente Médio e no norte da África, que estão estimulando "um êxodo de cristãos", em fuga por temerem pela sua segurança.

Francisco fez um novo apelo sobre o meio ambiente. Citando um dito popular do seu país natal, a Argentina, ele disse: "Deus sempre perdoa, nós às vezes perdoamos, mas a natureza, quando maltratada, nunca perdoa."