Amber Fouts/The New York Times
Amber Fouts/The New York Times

Pesquisa que revelou que chocolate emagrece é farsa do próprio autor

Cientista - PhD em biologia molecular de bactérias, área totalmente diferente do estudo - quis mostrar como pesquisas pouco relevantes sobre dietas ganham espaço em publicações científicas e na mídia

O Estado de S. Paulo

29 Maio 2015 | 21h09

Um grupo de cientistas descobriu que comer chocolate emagrece. A pesquisa foi publicada por uma revista científica e logo ganhou as manchetes em jornais e sites noticiosos de vários países. O estudo, no entanto, não passava de uma farsa, como foi revelado pelo próprio pesquisador, o jornalista John Bohannon, em seu blog io9.com. Bohannon tem PhD na área de biologia molecular de bactérias - área totalmente diferente da pesquisa.

Foram recrutadas 15 pessoas, que se dispuseram a participar do teste por três semanas. Elas foram distribuídas em três grupos: um deles seguiu uma dieta de baixo carboidrato; o segundo deveria comer uma barra chocolate por dia; e o terceiro não deveria fazer alterações na dieta. Após os testes, todos passaram por exames. 

O grupo que comeu chocolate perdeu peso 10% mais rápido, de fato, mas a amostra não era significativa, segundo o próprio autor. "Nosso estudo foi condenado pelo pequeno número de indivíduos, o que amplifica os efeitos de fatores não controlados", disse Bohannon no blog. 

A pesquisa foi publicada no Institute of Diet and Health, um site criado pelos próprios pesquisadores, e submetida a várias revistas científicas. A International Archives of Medicine fez a publicação. 

Segundo o autor, a ideia da farsa foi mostrar como pesquisas científicas pouco relevantes na área de dieta ganham espaço em revistas científicas e meios de comunicação. "Se um estudo nem sequer lista quantas pessoas participaram ou afirma que uma dieta ousada é 'estatisticamente significativa', mas não diz o tamanho do efeito, você deve se perguntar por que". 

Mais conteúdo sobre:
Chocolate

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.