Tomasz Szczygielski
Tomasz Szczygielski

Polonês diz que pode devolver fóssil brasileiro suspeito de ter sido roubado

Autor de pesquisa sobre ancestral dos lagartos com má-formação na espinha, feito com material suspeito de ter sido contrabandeado do Paraná, diz que material pode ter saído do Brasil como presente para embaixada polonesa

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2017 | 19h38

Os pesquisadores poloneses que publicaram há duas semanas um estudo sobre um fóssil de réptil encontrado no Paraná – e que é suspeito de ter sido levado ilegalmente do Brasil – disseram que não hesitariam em devolver o material se esta for a decisão oficial das autoridades brasileiras.

O pesquisador Tomasz Szczygielski, da Academia Polonesa de Ciências, líder do trabalho que descreveu um fóssil de réptil com o mais antigo sinal já encontrado de escoliose na espinha, respondeu nesta terça-feira, 3, à solicitação de esclarecimentos feita pelo Estado.

Por e-mail, disse que ele e colegas estão “tratando o assunto com muita seriedade” e declarou não ter ocorrido “má intenção em relação à propriedade do espécime”.

Segundo ele explicou, o fóssil quase completo de um mesossauro (ancestral dos répteis) da espécie Stereosternum tumidum descrito no trabalho foi adquirido pelo Instituto de Paleobiologia da Polônia há mais de 20 anos e que por isso vendo sido difícil rastrear sua história. 

“Nenhum dos autores do estudo afiliados ao instituto estava trabalhando no órgão naquela época. A única informação sobre a origem do espécime que tivemos enquanto preparávamos o estudo veio de uma breve nota na tese de mestrado da Agnieszka Kapuscinska”, disse Szczygielski. Ele se à colega que também assina o estudo e havia anteriormente feito a identificação da espécie. 

“Como descobrimos recentemente, graças a um professor aposentado do instituto, o espécime foi transferido para a coleção do instituto pela mãe de um ex-embaixador da Polônia no Brasil. Presume-se que foi um presente adquirido em conexão com a atividade diplomática da embaixada”, continuou o pesquisador. 

Segundo ele, o “instituto rotineiramente exige que todos os seus espécimes estrangeiros sejam legalmente importados”. E finalizou falando que tem “total respeito às leis brasileiras relativas ao comércio de fósseis” e que não hesitariam “em devolver esse fóssil a uma instituição pública no Brasil se esta for a decisão oficial das autoridades brasileiras”.

A reportagem enviou a resposta de Szczygielski ao presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia, Renato Ghilardi, que disse ainda não ter recebido nenhum comunicado oficial da revista científica PLoS ONE, onde o trabalho foi publicado, nem dos autores poloneses.

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