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População do planeta chega a 7 bilhões

ONU afirma que desafios são imensos: reduzir a desigualdade, elevar o acesso à educação e saúde e garantir crescimento sustentável

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Marcelo Portela ,

27 Outubro 2011 | 08h21

 

BELO HORIZONTE - A quatro dias de atingir a marca de 7 bilhões de habitantes, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo de forma geral e o Brasil em particular têm uma série de desafios para reduzir a desigualdade e aumentar o acesso à educação e saúde, além de garantir um crescimento sustentável. As condições de vida da população melhoraram, mas ainda há grandes disparidades entre regiões e países, além de discriminação étnica e de sexo. 

 

É o que aponta o relatório Pessoas e Possibilidades em um Mundo de 7 bilhões, divulgado ontem pelo Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA), simultaneamente em cem países. Segundo o relatório, a população mundial está aumentando em velocidade acelerada, mas, mantendo-se a atual tendência, deve reduzir o ritmo de crescimento. Há 2 mil anos, havia 300 milhões de pessoas no planeta, número que deve saltar para 10 bilhões em 2083. 

 

O relatório mostra também que a população mundial nunca esteve, ao mesmo tempo, tão jovem e tão velha. Isso porque, dos 7 bilhões de pessoas, 43% (3,01 bilhões) têm menos de 25 anos. Enquanto isso, as pessoas que têm mais de 60 anos, que eram 384milhões em 1990, já somam 893 milhões de pessoas e devem chegar a 2,4 bilhões até 2050. 

 

Isso, segundo o relatório, se deve ao aumento da expectativa média de vida, que passou de 48 anos em na década de 1950 para 69 anos atualmente. “Essa marca (7 bilhões) mostra o sucesso da humanidade. As pessoas estão tendo vidas mais longas e saudáveis, com menos mortalidade infantil. Mas o envelhecimento da população preocupa”, ressaltou o representante da UNFPA no Brasil, Harold Robinson. 

 

Robinson observa que o envelhecimento vai exigir mais investimentos dos governos em políticas sociais, assim como maior inserção dos jovens no mercado de trabalho para manter o mesmo nível de produtividade. 

 

Pobreza e sustentabilidade. Outros desafios apontados pelo relatório da UNFPA são a redução das desigualdades “entre e dentro” dos países, assim como a necessidade de se manter o crescimento e desenvolvimento sem “exaurir os recursos naturais”. Segundo a UNFPA, os 20% mais ricos da população mundial detêm 77% da renda - em 1960 eram 70% -, enquanto os 20% mais pobres reduziram sua participação de 2,3% para 1,5% no mesmo período. 

 

A representante auxiliar do UNFPA no País, Taís Ferreira Santos, salientou ainda que, paralelamente, as 500 mil pessoas mais ricas do mundo, que representam 7% da população, são responsáveis por 50% das emissões de dióxido de carbono, enquanto a metade mais pobre da população é responsável por outros 7% de emissões. “O problema é o padrão de vida. Há um excesso de consumo”, diz.

 

“O número de pessoas não ameaça tanto a sustentabilidade quanto o estilo de vida. O mundo não precisa de uma política para a população. Precisa de política de desenvolvimento. É um direito das pessoas e dos países se desenvolver, mas o (atual) padrão de consumo não é sustentável”, afirma Robinson. 

 

Brasil. O Brasil, segundo o UNFPA, segue um caminho inverso ao de diversos países em desenvolvimento. Apesar de a população brasileira ainda estar em crescimento, o órgão estima que há uma tendência à estabilização da população até 2025 e uma queda no número absoluto de habitantes a partir daí. O País, que hoje é o 5.º mais populoso, deve cair para 7.ª posição em 2050 e para a 10.ª até 2100. 

 

Segundo o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jorge Abrahão de Castro, essa tendência é comprovada por números e resultado de uma ampliação do acesso a informações - principalmente sobre saúde e planejamento familiar -, além da expansão de iniciativas como o Programa Saúde da Família (PSF). “Só o acesso à informação já faz as pessoas mudarem o planejamento. Principalmente as mulheres”, observou.

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