Pregador papal critica salários gigantescos durante ato da Sexta-Feira Santa

O pregador oficial do Vaticano afirmou durante um ato da Sexta-Feira Santa celebrado pelo papa Francisco que enormes salários e a crise financeira mundial são os males modernos causados ??pela "amaldiçoada fome por ouro".

Reuters

18 Abril 2014 | 15h06

O papa celebrou o serviço da "Paixão de Cristo" na Basílica de São Pedro, o primeiro de dois eventos papais no dia em que cristãos ao redor do mundo lembram a morte de Jesus crucificado.

O ato religioso é uma das poucas vezes durante o ano em que o papa ouve outra pessoa pregar.

O padre Raniero Cantalamessa, cujo título é "pregador da Casa Pontifícia", fez o sermão em torno do personagem de Judas Iscariotes, que traiu Jesus por 30 moedas de prata, de acordo com a Bíblia.

"Por trás de todo o mal em nossa sociedade está o dinheiro, ou pelo menos em parte", afirmou Cantalamessa. "A crise financeira que o mundo atravessou e que este país (Itália) ainda está passando não é em grande parte causada pela fome amaldiçoada pelo ouro?", indagou.

"Não é também um escândalo que algumas pessoas ganham mega salários ou aposentadorias às vezes 100 vezes maiores do que os das pessoas que trabalham para eles? E que eles levantam a voz para se opor quando uma proposta é apresentada para reduzir o seu salário para o bem maior da justiça social?", afirmou.

O papa Francisco, que colocou como tema central do seu pontificado o apoio aos pobres, disse em dezembro que enormes salários e bônus eram sintomas de uma economia baseada na ganância e na desigualdade.

Ainda nesta sexta-feira, o papa participará da procissão da Via Sacra ao redor das ruínas do Coliseu, em Roma.

No sábado, o líder de 1,2 bilhão de católicos romanos celebrará uma missa de véspera de Páscoa na Basílica de São Pedro e no domingo fará a bênção "Urbi et Orbi" (à cidade e ao mundo).

Em 27 de abril, o papa Francisco vai canonizar o papa João Paulo II, que liderou a Igreja Católica entre 1978 e 2005, e o Papa João XXIII, que foi pontífice de 1958 a 1963 e convocou o Concílio Vaticano Segundo, um importante encontro que modernizou a Igreja.

Centenas de milhares de pessoas devem ir a Roma para as canonizações, a primeira vez que dois papas serão declarados santos ao mesmo tempo e a primeira canonização de um papa desde 1954.

(Por Philip Pullella)

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