Profissionais ajudam na escolha

Psicopedagogos traçam o perfil do aluno e da família, visitam colégios e sugerem algumas instituições

, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2010 | 00h00

O término do ensino infantil e a transição do primeiro para o segundo ciclo do fundamental são momentos delicados até mesmo para as crianças que continuam na mesma escola. Por isso, mudar de colégio nessa fase exige ainda mais atenção, afirmam especialistas. A equação se torna mais complexa quando o aluno tem problemas de aprendizado ou de comportamento, mas há profissionais especializados para ajudar nesse processo.

"O primeiro passo é avaliar as expectativas dos pais e ajudá-los a perceber como é o filho, seu potencial, afinidades e limitações", conta a psicopedagoga Silvia Amaral, da clínica Elipse. "Se eles chegam com escolas pré-selecionadas, esclareço a metodologia de ensino de cada uma. Se não conheço, vou visitar. Ou então sugiro algumas dentro do perfil desejado para eles avaliarem."

A especialista Ana Luiza Borba conta que, quando uma mãe lhe procura porque o filho está com problemas na escola, analisa não apenas a criança, mas também a forma de trabalho da instituição de ensino. "Converso com os professores e a coordenação. Às vezes a escola passa a lidar com a criança de forma diferente e as coisas melhoram. Mas, em alguns casos, vejo que pedagogicamente o colégio não corresponde ao que a família anseia e então ajudo a escolher um novo."

A dona de casa Marta Regina Jonavicius procurou ajuda especializada quando descobriu que as filhas gêmeas, agora com 9 anos, estavam com dificuldades na alfabetização por causa de um problema auditivo. "Elas ouvem bem, mas têm problema no processamento do som. Fizemos exames e descobrimos que o quadro de Thaís era mais grave que o de Beatriz." Thaís precisou repetir o último ano do ensino infantil, enquanto a irmã seguiu para o fundamental.

"Conversei com uma fonoaudióloga e uma pedagoga para descobrir qual método de ensino seria melhor para as duas. Isso foi fundamental", conta a mãe. Ela visitou vários colégios e expôs o problema para os coordenadores. "Queria saber como poderiam ajudar minhas filhas." As meninas estudam hoje em séries e escolas diferentes. Na de Thaís, as turmas têm apenas 5 alunos. "Tive de avaliar as necessidades de cada uma. Não adiantava eu me enganar e procurar o melhor colégio. Isso apenas ia trazer frustração para todos", diz a mãe.

Situação semelhante viveu a dona de casa Fabiana Clauz, mãe de Pedro, de 8 anos, que nasceu prematuro e tem a coordenação motora um pouco comprometida. "Ele não tem dificuldade para entender o conteúdo, mas levou mais tempo para conseguir escrever e necessitou da ajuda de uma psicomotricista", conta Fabiana. Quando o menino ingressou no fundamental, a mãe procurou um colégio com poucos alunos em sala e ensino direcionado. "Escolas imensas não têm essa ajuda específica. Além disso, eles têm um trabalho de prevenção de bullying desde o segundo ano do fundamental", diz.

Bullying. Se o estudante não está feliz ou não está se desenvolvendo conforme o esperado, pode ficar desmotivado, agressivo, apático e até apresentar comportamentos sociais e acadêmicos inadequados, afirma a neuropsicóloga Adriana Foz.

Foi o que aconteceu com a adolescente J., de 13 anos. "Quando ela estava com 8 anos, o colégio em que estudava fechou e tivemos apenas um mês para escolher outro", conta a mãe. A família então optou pela escola mais tradicional do bairro. Mas, ao longo dos últimos quatro anos, a menina sofreu pequenos e repetidos episódios de bullying. "Era excluída porque não tinha a mochila da marca tal ou porque é gordinha. Até que, no ano passado, passou a dizer que não queria mais estudar e que a vida dela era muito chata. Tinha crises de dor de cabeça e vômito", diz a mãe.

Somente então a família se deu conta de que a situação ia um pouco além da rebeldia adolescente. "Ela passou a achar que não era legal ser uma aluna que tira dez. Queria chamar atenção de qualquer forma."

Para a psicóloga Fernanda Gonçalves, há uma tendência de se culpar o aluno nessas situações. Ela defende que um profissional converse com todos os professores envolvidos e com a coordenação. "Essas crianças são pouco conhecidas dentro de um contexto, o que acaba levando a diagnósticos precipitados de problemas como déficit de atenção e hiperatividade. Depois acabam submetidas a remédios fortíssimos."

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