Marty Lederhandler/AP
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Riso de seres humanos e de animais é assunto sério para os cientistas

Piadas como as de 1º de abril são responsáveis por no máximo 15% das risadas, diz estudioso

Seth Borenstein, AP,

31 Março 2010 | 16h06

E aí o cientista entra na loja para ver as pessoas rirem. Não é piada: o riso é um tema científico sério, que pesquisadores ainda se esforçam para entender.

O riso é primitivo, a primeira forma de comunicação.

 

Macacos riem. Assim como cães e ratos. Bebês riem antes de aprender a falar. Ninguém precisa ser ensinado a rir. E frequentemente o riso é involuntário, aparecendo num ritmo específico e em certas partes de uma conversação.

 

Você pode rir de uma brincadeira do 1º de abril mas, surpreendentemente, apenas de 10% a 15% das risadas são resultado de alguém fazendo uma piada, disse o neurocientista Robert Provine, que estuda o riso há décadas. A risada tem mais a ver com respostas sociais do que com a reação a uma piada.

 

"O riso é, acima de tudo, uma coisa social", disse Provine. "Para haver riso, é preciso haver outra pessoa".

 

Ao longo dos anos, Provine, professor da Universidade de Maryland, reduziu o riso a seus componentes fundamentais:

 

"Todos os grupos linguísticos riem 'ha-ha-ha', basicamente da mesma forma", disse ele. "Não importa se você fala mandarim, francês ou inglês, todo mundo entende uma risada... Há um gerador de padrões no cérebro que produz o som".

 

Cada "ha" dura cerca de 6% de um segundo e repete-se a cada 20 décimos de segundo, disse ele. Risos mais velozes ou lentos que isso soam mais como uma respiração ofegante que como risada.

Pessoas surdas riem mesmo sem ouvir e pessoas ao telefone riem sem ver, o que ilustra o fato de que o riso não depende de um sentido específico, mas de interações sociais, disse Provine.

 

"É alegrai, é um envolvimento positivo com a vida", disse Jaak Panksepp, psicólogo da Universidade Bowling Green. "É profundamente social".

 

E não é só uma coisa de seres humanos.

 

Chimpanzés fazem cócegas uns nos outros e riem até quando um macaco finge fazer cócegas no outro. "Esta é a minha candidata à piada mais antiga do mundo", disse Provine. "É uma cócega fingida. Isso é um humor primordial".

 

Panskepp estuda ratos que riem quando sentem cócegas. Soa bobo? Está no YouTube e em revistas científicas. E os ratos adoram as cócegas: eles voltam várias vezes para as mãos dos pesquisadores.

 

Com o estudo desses animais, Panksepp e outros pesquisadores conseguem ver o que acontece no cérebro durante o riso, o que pode ajudar a combater doenças humanas.

O professor de engenharia biomédica Jeffrey Burgdorf, descobriu que o riso nos ratos produz uma substância que age como antidepressivo e redutor de ansiedade. Ele acredita que o mesmo deve acontecer em humanos, o que pode dar aos médicos um novo alvo no cérebro para combater a depressão.

 

A despeito disso, não há provas de que o riso faça bem à saúde. A psiquiatra Margaret Stuber, da Universidade da Califórnia, estudou se o riso fazia bem para os pacientes. Ele descobriu que distração e melhora do humor ajudavam, mas não foi capaz de encontrar um benefício associado especificamente ao riso.

 

Embora o estudo do riso seja um trabalho sério para os cientistas, ele parece soar como um assunto menor na hora da busca por verbas. Por isso, Burgdorf evita a palavra "riso". Ele prefere "resposta emocional positiva".

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