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Robô da Nasa encontra em Marte indício de lago em local de pouso

'O tamanho do lago e a extensão de tempo mostrando que a água estava presente implicam que pode ter havido tempo suficiente para a vida surgir e florescer', disse o cientista Michael Meyer

IRENE KLOTZ, REUTERS

08 Dezembro 2014 | 20h22

Bilhões de anos atrás, um lago preenchia a cratera de 154 quilômetros de largura que está sendo explorada pelo Curiosity, o robô da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa, na sigla em inglês) que vaga por Marte. Os dados enviados até agora pelo robô fortalecem os indícios de que o planeta mais parecido com a Terra no sistema solar foi adequado para a vida microbiana, divulgaram os cientistas nesta segunda-feira, 8. 

As novas descobertas combinam mais de dois anos de dados coletados pelo Curiosity desde seu pouso dentro da Cratera Gale, em agosto de 2012. Os cientistas descobriram pilhas de rochas contendo sedimentos deixados pela água e inclinados rumo ao centro da cratera, que agora exibe um morro de 5 quilômetros chamado Monte Sharp. Isso pode significar que o monte não existia durante um período de tempo de aproximadamente 3,5 bilhões de anos atrás, quando a cratera estava cheia de água, afirmaram os pesquisadores a cargo do Curiosity a repórteres durante uma teleconferência.

“Encontrar os estratos inclinados foi... uma surpresa total”, disse o cientista-chefe, John Grotzinger, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena. “A geologia sedimentária é o que há de mais avançado para tentar entender a Terra. Quando as petroleiras coletam amostras sísmicas, elas estão procurando estratos inclinados porque você obtém uma geometria que mostra onde estão as rochas que você procura”, acrescentou.

Pouco depois de pousar, o Curiosity descobriu que Marte já teve os ingredientes químicos e as condições ambientais necessárias para conter vida microbiana, cumprindo o objetivo principal de sua missão. “O tamanho do lago na Cratera Gale e a extensão de tempo e de séries mostrando que a água estava presente implicam que pode ter havido tempo suficiente para a vida surgir e florescer”, disse o cientista Michael Meyer, do Programa de Exploração de Marte da Nasa.

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