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Rússia e EUA fazem parceria para a construção da primeira estação espacial na órbita da Lua

Mesmo com a tensão geopolítica entre os dois países, acordo de cooperação foi assinado nesta quarta-feira na Austrália; a estação lunar, que será lançada até 2026, é o passo inicial para futura missão tripulada a Marte

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2017 | 16h47

Apesar de toda a tensão geopolítica envolvendo Washington e Moscou, os Estados Unidos e a Rússia chegaram a um acordo para a construção a primeira estação espacial na órbita da Lua, de acordo com Igor Komarov, diretor da Roscosmos, a agência espacial russa. 

Segundo ele, o projeto - que é  parte de um grande plano para o envio de missões tripuladas a Marte no futuro - está aberto para a adesão de outros países, incluindo o Brasil, a China, a Índia e a África do Sul.

"Nós (Roscosmos e Nasa) chegamos a um acordo para o projeto de construção da nova estação internacional na órbita da Lua", disse Komarov à agência de notícias russa RT, nesta quarta-feira, 27, durante o 68º Congresso Internacional de Astronomia, em Adelaide, na Austrália. Durante o evento, as duas agências assinaram um acordo de cooperação para a estação lunar.

A estação espacial, que será batizada de Deep Space Gateway ("porta de entrada para o espaço profundo", em tradução livre), deverá ter seus primeiros módulos lançados entre 2024 e 2026. De acordo com Komarov, as tecnologias que forem desenvolvidas na Deep Space Gateway serão utilizadas em futuras missões à superfície da Lua e, na década de 2030, servirão para a viagem tripulada ao Planeta Vermelho.

O projeto, segundo Komarov, será oficialmente anunciado em breve e seu primeiro estágio envolverá a construção da parte orbital da estação. A parte russa do projeto consistirá no desenvolvimento de até três módulos para a estação, segundo Komarov. Os russos também trabalharão no desenvolvimento de um sistema de atracação, capaz de receber diversos tipos de espaçonaves na nova estação.

Paz no espaço. O anúncio do projeto em parceria surge em um momento de relações estremecidas entre Moscou e Washington, com a crise ucraniana e as abordagens conflitantes dos dois países na gestão de questões em torno da Síria e da Coreia do Norte. 

No entanto, os problemas entre os dois países parece se limitar à Terra. A exploração espacial - tem sido uma área na qual os dois países têm conseguido entendimento mútuo. Historicamente, as agências espaciais e os astronautas russos e americanos têm trabalhado juntos em diversos projetos, incluindo as missões conjuntas na Estação Espacial Internacional (EEI), que também envolve o Canadá o Japão e a Agência Espacial Europeia (ESA).

Em 2014, quando a crise ucraniana foi deflagrada e Washington acusou a Rússia de interferir no país, o astronauta americano Michael Hopkins disse à imprensa que a deterioração das relações entre os dois países não é sentida no espaço. "Acho, na realidade, que a EEI ainda é um exemplo do que nossas nações podem fazer quando trabalham juntas", disse Hopkins à RT.

Em junho, Komarov já havia afirmado que, para a Roscosmos, a Nasa e a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), o fim da cooperação na EEI iria afetar seriamente o trabalho de cada uma das agências. "Do ponto de vista das agências, há um consenso de que a cooperação precisa ser mantida", disse.

Alguns meses antes, outro astronauta americano, Douglas Wheelock, disse à RT que a Rússia e os Estados Unidos deveriam trabalhar juntos em benefício da humanidade. "Todos respiramos o mesmo ar. Nós podemos desenhar fronteiras, mas do espaço não se pode vê-las", disse Wheelock.

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