Cortesia W. Stenzel/NASA/via REUTERS
Cortesia W. Stenzel/NASA/via REUTERS

'Seria muito estranho se não existisse vida em outros planetas', diz astrônoma

María Teresa Ruiz recebeu nesta quinta-feira prêmio da Unesco para mulheres cientistas

O Estado de S.Paulo

23 Março 2017 | 19h02

A astrônoma chilena María Teresa Ruiz, laureada com um prêmio da Unesco, está convencida de que na próxima década haverá notícias de vida em outros planetas, uma descoberta que "mudará a visão sobre a Humanidade".

"Seria muito estranho se não tivesse, havendo tantas estrelas na galáxia e tantas galáxias no universo. Pode ser uma vida um pouco diferente da nossa, mas eu acredito que exista", disse em entrevista antes de receber nesta quinta-feira, 23, em Paris o "Prêmio para as Mulheres e a Ciência", concedido anualmente pela Unesco e a empresa francesa L'Oreal a cientistas dos cinco continentes.

María Teresa, de 70 anos, recentemente nomeada a primeira mulher presidente da Academia de Ciências do Chile, está colaborando em vários projetos para buscar planetas exoplanetas (fora do sistema solar).

"Todos os grandes telescópios que vão começar a abrir seus olhos na próxima década têm dentro de sua justificativa científica buscar planetas extrassolares", explica a atual diretora do departamento de Astronomia da Universidade do Chile, em Santiago.

E o presumível achado de vida "mudará nosso olhar sobre a Humanidade", porque uma coisa é "suspeitar e outra muito diferente é comprovar", diz. 

A cientistas foi a primeira mulher a se diplomar em astronomia no Chile e receber o Prêmio Nacional de Ciências.

Contribuiu além disso para a instalação do radiotelescópio gigante ALMA no deserto de Atacama, no norte do país.

O prêmio foi dado a María Teresa pelo conjunto de sua trajetória. Ser mulher - disse -, tem suas vantagens e desvantagens em sua carreira.

"Nós mulheres temos algumas habilidades que fazem nossa vida mais fácil". Assim "ser interativa é importante na ciência, da mesma maneira que ter o ego melhor treinado, de forma que não seja um impedimento para trabalhar juntos e progredir em um tema".

Por outro lado, lamenta que a sociedade "não esteja preparada para facilitar" que as mulheres cientistas brilhantes, em idade de ter filhos, possam se dedicar à carreira e dar sua contribuição para um "mundo melhor".

Este premio a mulheres cientistas é dado desde 1998 com valor de 100 mil euros (108 mil dólares). María Teresa afirma que uma parte do montante será destinado "à promoção da ciência entre as meninas" nos centros escolares no Chile, por meio de iniciativas próprias e com associações que já trabalham neste âmbito. /AFP

       

 

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