Sob críticas, deputado tucano defende Dilma

Eduardo Azeredo teve de responder a questões sobre as políticas econômicas e ambientais do governo federal

Bruno Deiro e Glauber Gonçalves, do Rio,

13 Junho 2012 | 22h30

A contradição entre a política econômica do País e o discurso ambiental do governo federal às vésperas da Rio+20 gerou polêmica no primeiro dia do Desafio Rio/Clima, evento paralelo à conferência mundial.

 

As críticas de palestrantes e da plateia foram tão duras que até o deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), deixou de lado a postura de oposição para defender o governo. “Não creio que o governo da Dilma seja despreparado para lidar com as questões ambientais”, disse ele, presidente da comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara.

Diante de um público formado principalmente por professores e pesquisadores universitários, as medidas de incentivo ao consumo e os investimentos no pré-sal foram questionadas. “Nos últimos dois anos, houve estagnação na política industrial, pois ela foi voltada a promover o desenvolvimento, independentemente da eficiência energética. O eixo tem sido as indústrias do petróleo e automobilística”, observou o professor Eduardo Viola, da Universidade de Brasília (UnB).

Azeredo tentou defender a atuação dos deputados. “Fizemos um relatório e temos diversos projetos apresentados, mas essas coisas não se resolvem de uma hora para a outra.”

Crise internacional. No primeiro dia do Rio Clima, outro evento paralelo à Rio +20, o cenário internacional desfavorável foi apontado como principal ameaça à discussão, na conferência brasileira, sobre políticas ambientais para os próximos anos. Com dados alarmantes sobre emissões de carbono, ambientalistas mostraram especial preocupação com a crise na União Europeia, considerada a principal líder potencial nas negociações.

“Uma recessão pode ter efeito muito pernicioso se interromper esse processo de mudança gradual”, declarou o coordenador do Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente da Coppe/UFRJ, Emilio La Rovere. Ele criticou políticas de países como Alemanha e Espanha, que, segundo ele, teriam cortado incentivos à energia eólica e solar. “Os subsídios tendem a ser decrescentes ao longo do tempo, mas não pode haver uma descontinuidade, pois isso seria fatal.”

No evento, na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o tom foi de desconfiança em relação à posição dos europeus na Rio+20. “A União Europeia esteve, por 15 anos, na vanguarda dos acordos ambientais, mas foi capturada pela crise. Quanto mais se aprofunda a crise europeia, pior para a humanidade”, afirmou o professor Eduardo Viola, da Universidade de Brasília. Segundo ele, o papel do Brasil vai pouco além do de anfitrião. “Tem que estar mais próximo da postura de países como Europa e Japão, e não do nacionalismo de China e Índia, como tem feito.”

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