Toda a superfície de Marte já pode ter sido habitável, mas por pouco tempo

Fundo de crateras guarda registro de rochas modificadas pela presença de água no planeta

estadao.com.br

25 Junho 2010 | 14h38

Vista em perspectiva de região de marte, feita com base em imagem da Mars Express. ESA

 

Condições favoráveis à vida podem ter existido em toda a superfície de Marte. Estudos detalhados de minerais encontrados no interior de crateras mostram que a presença de água era disseminada, diz nota divulgada pela Agência Espacial Europeia (ESA), com indícios da presença do líquido no passado não só das terras altas do hemisfério sul, mas também das planícies do norte.

 

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As sondas Mars Express, da ESA, e MRO, da Nasa, descobriram minerais hidratados no norte, o que seria um sinal claro de que água fluiu ali, no passado. As sondas já haviam, anteriormente, descoberto milhares de áreas no hemisfério sul que haviam sido alteradas pela presença de água.

 

Em muitas delas existem minerais conhecidos como filossilicatos, indicação de que o hemisfério sul do planeta já foi muito mais úmido e quente do que hoje. No entanto, até esta semana, nenhuma área de minerais hidratados havia sido localizada nas terras baixas setentrionais, onde camadas de lava e sedimentos com  quilômetros de espessura complicam o trabalho de sondar o leito rochoso subjacente.

 

O primeiro indício de que poderia haver silicatos hidratados nas planícies do norte vieram de um sensor da Mars Express, e foram reforçadas com dados da sonda da Nasa.

 

A busca centrou-se em 91 grandes crateras de impacto, onde os asteroides penetraram vários quilômetros, expondo o material da crosta antiga. Como descrito na edição desta semana da revista Science, o levantamento determinou que pelo menos nove crateras contêm filossilicatos ou outros silicatos hidratados.

Esses minerais, que se formaram em ambientes unidos na superfície antiga ou no subsolo, são idênticos aos descobertos no hemisfério sul.

 

"Agora podemos dizer que o planeta foi alterado por água em escala global, há mais de 4 bilhões de anos", disse John Carter, da Universidade de Paris, principal autor do estudo. A natureza dos depósitos, no entanto, indica que a exposição das rochas á água durou, no máximo, centenas de milhões de anos.

 

Isso dá ao planeta uma "janela de habitabilidade" estreita, mas cujos vestígios, dizem os cientistas, parecem bem preservados. Os novos resultados indicam locais promissores para o pouso de futuras missões ao planeta vermelho.

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