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Troca de olhares explica afeto entre cães e humanos

Pesquisa sugere que cães e donos teriam aproveitado o mecanismo instintivo de ligação que reforça vínculo entre mães e filhos

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

16 Abril 2015 | 21h47

O afeto entre cães e seus donos se baseia na troca de olhares entre ambos, que aumenta em seus organismos a liberação de oxitocina, mesmo hormônio responsável por estreitar o vínculo entre mães e bebês humanos. As conclusões são de estudo publicado nesta quinta-feira, 16, na revista Science. 

A pesquisa sugere que, para desenvolver uma parceria tão próxima, cães e humanos teriam aproveitado o mecanismo instintivo de ligação que originalmente serve para reforçar o mais forte dos vínculos biológicos: aquele entre mães e filhos.

A oxitocina, popularmente conhecida como “hormônio do amor”, é secretada no cérebro da mãe quando ela troca olhares com o bebê, incentivando-a a nutri-lo e dar carinho. Isso também aumenta os níveis do hormônio no bebê, estimulando novas trocas de olhares e comportamento de apego, realimentando o ciclo.

Responsável por reforçar biologicamente o laço entre mãe e filho, esse ciclo também ocorre entre humanos e cães, afirma o estudo. Isso explicaria por que ambos têm sido os “melhores amigos” há milhares de anos, segundo os autores.

De acordo com os cientistas, essa dinâmica de troca de olhares e liberação de hormônios não existe entre homens e lobos (biologicamente muito próximos dos cães), indicando que tal mecanismo teria evoluído ao longo dos milênios em que se deu a domesticação.

Teste. Para realizar o experimento, cientistas - liderados por Miho Nagasawa, da Universidade Azabu, no Japão - colocaram cães e donos em uma sala e documentaram cada interação, como olhares, toques, palavras e latidos, por 30 minutos. Antes e após a observação, os pesquisadores mediram os níveis de oxitocina na urina dos cães e dos humanos. Descobriram que a liberação do hormônio no cérebro de ambos aumentava de acordo com a intensidade da troca de olhares.

O experimento foi feito com 24 mulheres e seis homens donos de cães - 15 machos e 15 fêmeas. Os cientistas mediram ainda os níveis de oxitocina nas interações entre lobos e donos, mas eles não sofreram alteração, mesmo com troca de olhares.

Num segundo experimento, os cientistas borrifaram um spray de oxitocina no focinho dos cães, que foram colocados em uma sala com seus donos e com estranhos. Só as cadelas apresentaram aumento na troca de olhares com os donos. Após 30 minutos, os níveis de oxitocina também havia aumentado no organismo dos humanos.

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