Alexis Rodriguez
Alexis Rodriguez

Tsunamis de 120 metros podem ter moldado superfície de Marte

Estudo internacional sugere que meteoros teriam caído sobre oceanos marcianos que existiram há 3,4 bilhões de anos, gerando ondas gigantes que teriam apagado antigas linhas litorâneas

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

19 Maio 2016 | 20h13

Tsunamis gigantescos em um oceano que existia em Marte há bilhões de anos podem ter dado forma às paisagens atuais do planeta, de acordo com um estudo feito por uma equipe internacional de cientistas.

O estudo, publicado hoje na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, foi realizada por cientistas dos Estados Unidos, China e Alemanha, sob a coordenação de Alexis Palermo Rodriguez, do Instituto de Ciências Planetárias de Tuscson, no Arizona (Estados Unidos).

As gigantescas ondas marcianas, que chegavam a 120 metros de altura ao quebrarem no litoral, podem ter sido desencadeadas por dois grandes meteoritos que caíram na superfície dos oceanos de Marte, segundo os autores do estudo.

De acordo com Rodriguez, os tsunamis podem ter sido poderoros o bastante para esculpir a maior parte das antigas costas litorâneas de Marte, há cerca de 3,4 bilhões de anos. A hipótese já havia sido levantada antes, mas a ausência de características típicas de linhas litorâneas na superfície marciana impediam sua verificação.

Com base em um mapeamento feito a partir de imagens geomórficas e térmicas de regiões nas planícies do norte de Marte, em combinação com análises computacionais, a equipe de Rodriguez encontrou uma explicação para a ausência de linhas costeiras.

Segundo os cientistas, violentos impactos de meteoros teriam produzido crateras de cerca de 30 quilômetros de diâmetro, gerando tsunamis com que teriam apagado as antigas linhas litorâneas ao depositar os sedimentos centenas de quilômetros terra adentro.

Para realizar a pesquisa, os cientistas utilizaram dados obtidos pelas câmeras de bordo das naves Mars Odyssey Orbiter, Mars Reconnaissance Orbiter e Mars Global Surveyor. Assim, eles mapearam a região onde ficava um antigo oceano, em uma área de fronteira entre montanhas e terras baixas, no norte de Marte. 

Examinando em detalhe dois conjuntos de depósitos de sedimentos, os cientistas descobriram que um deles apresenta grandes quantidades de pedregulhos, enquanto o outro parece ser feito de água congelada. Eles acreditam que os depósitos são remanescentes de dois tsunamis que mudaram a paisagem marciana, enterrando a antiga linha costeira. 

Segundo Rodriguez, os impactos ocorreram em todo o oceano marciano com uma separação de três milhões de anos. "A descoberta de dois depósitos de tsunamis marcianos sugere que existiu pelo menos um oceano na região norte do planeta. Além disso, a característica de suas morfologias nos permite investigar as mudanças climáticas ocorridas durante o período de existência daquele oceano", afirmou o cientista.

As imagens da superfície marciana, segundo os cientistas, sugerem que um primeiro tsunami produziu os depósitos ricos em pedregulhos, criando um terreno rochoso em uma ampla gama de elevações. Quando a água retrocedeu, ela cavou canais que também podem ser observados hoje.

Entre o primeiro e o segundo tsunami, que ocorreu milhões de anos depois, os cientistas acreditam que o planeta esfriou e o nível do mar baixou. Quando o segundo meteorito caiu, nesse período mais frio, ele gerou outro tsunami semelhante a uma enorme onda gelada. Assim que as ondas bateram na terra ainda mais gelada, as águas perderam calor e congelaram compleetamente. "Isso é imortante, porque nós não conseguimos observar evidências de que a água retrocedeu - esse tsunami não voltou para o oceano", disse Rodriguez.

Segundo os cientistas, eventos semelhantes podem ter ocorrido em outras partes do Planeta Vermelho. "Só identificamos evidências de dois tsunamis na área estudada, mas outras regiões nas planícies do norte podem ter passado por eventos semelhantes, que moldaram sua superfície, talvez associados a outros impactos, imensos deslizamentos de terra e grandes abalos sísmicos", disse Rodriguez.

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