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Um caramujo no centro de um estudo mundial

Sequenciamento de DNA busca informações para tratar e evitar a esquistossomose

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

16 Junho 2017 | 04h00

RIO DE JANEIRO - Um comitê mundial de cientistas, incluindo brasileiros, concluiu o sequenciamento do DNA do caramujo Biomphalari, hospedeiro do parasita que transmite a esquistossomose. Os estudos fazem parte dos esforços para erradicar a doença, que causa 200 mil mortes por ano e infecta mais de 240 milhões de pessoas no mundo. 

“O objetivo dessas pesquisas é resolver um problema enorme que é a falta de mecanismos de controle da doença. Não temos ferramentas suficientes. Hoje temos o tratamento com praziquantel, uma droga boa, mas que tem três problemas: não mata formas jovens do parasita; não impede a reinfecção; e a resistência do parasita a essa droga é questão de tempo”, afirma o biologista molecular Guilherme Oliveira, do Instituto Tecnológico Vale (ITV) de Belém, um dos coautores do artigo Análise do genoma do caramujo de água doce ‘Biomphalaria’ que transmite a esquistossomose, publicado recentemente na revista Nature, referência mundial de publicações cientificas. 

O estudo, coordenado pela Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, foi assinado por pouco mais de uma centena de pesquisadores de 50 instituições de 11 países, incluindo Brasil, Canadá, Grã-Bretanha, Alemanha e Austrália. Além do ITV, cientistas da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal de Uberlândia participam da pesquisa, que começou com a coleta dos moluscos em Minas.

O sequenciamento do genoma levou uma década e levantou informações que podem permitir bloquear o parasita Schistosoma mansoni, causador da doença. Outra vertente da pesquisa é identificar mecanismos de resistência do caramujo à infecção. “Se você tiver caramujos resistentes no ambiente, seria também um modo de controle”, diz o biologista. 

Os pesquisadores também fazem estudos de base populacional da genética do caramujo. Eles querem saber a distribuição do vetor, se as populações estão isoladas, e verificar ainda se o parasita está infectando o caramujo de forma mais rápida. “Isso tudo faz parte de aspectos de controle”, afirma Oliveira. 

A esquistossomose é assintomática, inicialmente, mas pode evoluir para formas graves. Na fase aguda, o paciente pode ter febre, dor de cabeça, fraqueza, falta de apetite. Nos casos mais graves, o paciente apresenta emagrecimento, fraqueza acentuada e aumento do volume do abdome – o que leva a doença a ser conhecida popularmente como barriga d’água. 

Água. O contágio humano se dá por meio do contato com águas contaminadas pelas larvas do parasita. A esquistossomose ocorre em todas as regiões, principalmente Nordeste e Sudeste.

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