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Vaticano: 'Europa troca crucifixos por abóboras de Halloween'

Secretário de Estado do Vaticano comentou a decisão que condena presença de crucifixos em escolas

Ansa,

04 Novembro 2009 | 14h45

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, disse nesta quarta-feira, 4, que a "Europa do terceiro milênio deixa somente as abóboras" de Halloween nas escolas e retira os crucifixos, ao comentar a sentença da Corte Europeia de Direitos Humanos contra o símbolo católico.

 

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"Eu digo que esta Europa do terceiro milênio deixa somente as abóboras das festas de antes de 1º de novembro e tira os símbolos mais sagrados. Esta é, verdadeiramente, uma perda", afirmou Bertone em uma coletiva de imprensa no hospital Menino Jesus, na Itália.

 

A Corte Europeia de Direitos Humanos, em Estrasburgo, anunciou ontem uma sentença, na qual condenou a Itália a pagar 5 mil euros de indenização por danos morais à italiana de origem finlandesa Soile Lautsi, que havia pedido à direção da escola onde estudam seus filhos a retirada de crucifixos e demais objetos religiosos das salas de aula.

 

"A nossa reação não pode ser senão de deploração", ratificou o cardeal, destacando que "agora devemos tentar, com todas as forças, conservar os sinais da nossa fé para quem crê e para quem não crê".

 

Bertone comentou ainda que o crucifixo é um "símbolo de amor universal, de acolhimento, e não de exclusão".

 

"Todas as nossas cidades, as nossas ruas, as nossas casas, as escolas apresentam símbolos religiosos como crucifixos. Devemos retirar todos os crucifixos?", questionou.

 

O cardeal informou que ainda não ouviu a opinião do papa Bento XVI sobre o tema. "Eu o encontrarei amanhã".

 

Bertone também ressaltou que a Santa Sé demonstrou "apreço" pelo fato de que a Itália irá recorrer da sentença, conforme informou ontem à ANSA o magistrado Nicola Lettieri, que defende o país ante o Tribunal.

 

"Espero que outros governos também entrem com recurso para uma coisa que não diz respeito somente à Itália, mas também a União Europeia", declarou o secretário de Estado vaticano.

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