AFP PHOTO / NASA/JPL-Caltech/MSSS
AFP PHOTO / NASA/JPL-Caltech/MSSS

Vida em Marte pode ser impossível; entenda por quê

Sais abundantes no planeta - submetidos à radiação solar - podem matar bactérias em poucos minutos, diz estudo

O Estado de S. Paulo

06 Julho 2017 | 17h40

Más notícias para a busca de vida em Marte: pesquisadores descobriram que o planeta vermelho é "menos habitável" do que se pensava, pela formação de um "coquetel tóxico" em sua superfície por causa dos efeitos dos raios ultravioleta.

Uma equipe da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Edimburgo, na Escócia, se interessou por estudar os percloratos, sais abundantes em Marte.

Este composto, estável a temperatura moderada, se converte em um potente oxidante quando é ativado, por exemplo, pelas altas temperaturas.

Marte tem temperaturas frias, mas a equipe descobriu que o perclorato também pode se ativar apenas pelo efeito dos raios ultravioleta (UV).

"Demonstramos que quando os percloratos recebem a radiação de um fluxo de raios UV parecidos aos que existem em Marte, se tornam bactericidas", indicam os pesquisadores em um estudo publicado nesta quinta-feira, 6, na revista Scientific Reports.

Com concentrações de perclorato parecidas às que existem na fina camada de pó da superfície de Marte, a bactéria Bacillus subtilis morre "em poucos minutos", em um ambiente semelhante ao do planeta vermelho, observaram os cientistas no laboratório.

E o que é pior: outros dois compostos presentes em Marte, o óxido de ferro e o peróxido de hidrogênio, atuam em sinergia com os percloratos, aumentando ainda mais a mortalidade das bactérias.

"Nossas observações mostram que a superfície atual de Marte é muito nociva para as células, submetidas ao efeito de um coquetel tóxico de oxidantes, percloratos e raios UV", destacam os pesquisadores. /AFP

 

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