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Virgindade de jovem é vendida por R$ 1,5 mi

Site de filme sobre a ‘1ª vez’ divulgou que japonês venceu leilão pela virgindade de brasileira

Clarissa Thomé, do Rio,

24 Outubro 2012 | 22h30

Um japonês que se identificou como Natsu arrematou a virgindade da brasileira Catarina Migliorini, de 20 anos. Ele deu o lance de US$ 780 mil (R$ 1,5 milhão), US$ 40 mil a mais que o segundo colocado, numa disputa que teve 15 concorrentes.

Partiu do Brasil a maior oferta (US$ 3 mil ou R$ 6 mil) pela virgindade do russo Alexander Atepanov. Catarina e Atepanov se inscreveram no inusitado leilão que faz parte do projeto Virgins Wanted, documentário que está sendo filmado pelo australiano Justin Sisely. Ele argumentou que pretende retratar as transformações na vida de um jovem após a “primeira vez”.

 

A relação sexual será consumada em dez dias. Catarina terá de apresentar laudo de ginecologista confirmando a virgindade. O ganhador do leilão fará exames para comprovar que não tem doenças sexualmente transmissíveis – ainda assim, terá de usar preservativo. Estão proibidos sexo oral, beijo na boca e uso de brinquedos sexuais. A relação não será filmada.

A iniciativa recebeu críticas e rendeu polêmica na internet – perfis pessoais, comunidades e a página do projeto receberam centenas de mensagens. E levantou a discussão sobre a razão de a virgindade ainda ser tão valorizada, mesmo depois das conquistas do movimento feminista e da revolução sexual.

 

Para a psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade e Saúde (ProSex) da Universidade de São Paulo, a virgindade é um dos “grandes mitos da sexualidade” que segue atual.

 

“A grande revolução sexual ocorre quando a mulher deixa de guardar a virgindade como um bem. Mas o mito da mulher virgem e o ato de desvirginá-la, que é visto como o uma façanha, chega aos dias de hoje porque não é tão comum para o homem adulto se relacionar com uma mulher adulta virgem, porque muito cedo as meninas iniciam a vida sexual, com 16 e 17 anos”, explica. “O que tem valor é o ato de iniciar uma mulher. Para o homem, fazer parte dessa transição conta como ponto importante”.

A historiadora Mary Del Priore, autora do livro Histórias Íntimas – Sexualidade e Erotismo na História do Brasil, concorda. “Talvez tenha a ver com o fato de as pessoas perderem a virgindade com muita facilidade. Costuma-se valorizar o que é raro.”

Ela lembra que a virgindade perdeu a importância, do ponto de vista histórico, quando era uma espécie de garantia sobre a hereditariedade. Mais tarde, tornou-se uma marca para distinguir as “moças de família” das “vassourinhas ou maçanetas”.

O psicólogo Caio Feijó, mestre em psicologia da adolescência pela Universidade Federal do Paraná e autor do livro A Sexualidade e o Uso de Drogas na Adolescência, acredita que os adolescentes que fazem parte do projeto podem ter decidido participar do documentário sob influência da exposição constante da sexualidade.

“Fui chamado para dar consultoria em uma escola estadual de Curitiba em que, de 12 alunas numa sala, 7 estavam grávidas. Depois de entrevistá-las, soube que uma das jovens, considerada uma espécie de líder, havia engravidado e disse que era uma produção independente. As demais agiram levadas pela modulação de comportamento. Essa forma de exibição irresponsável da sexualidade pode levar a esse comportamento de se expor em busca de recompensa”, afirmou o profissional, que ressaltou que falava em tese, já que não teve contato com os jovens.

Aventura. Enquanto isso, Catarina (cujo o nome de batismo é Ingrid) segue em Bali, na Indonésia, onde está há quase dois meses. Marca presença diariamente em uma praia paradisíaca, conversa e devora os livros que trouxe do Brasil, de Fiodor Dostoievski, Ernest Hemingway e Albert Camus, além dos filósofos Sócrates, Rousseau e Sêneca.

“Entrei nessa história de leiloar a virgindade também pela aventura, para conhecer lugares e culturas diferentes”, conta. Ela frisa que o leilão não tem a ver com dificuldades financeiras.

Antes de ir para a Ásia, ela se matriculou em uma faculdade de medicina na Argentina. Catarina se inscreveu no site do documentário achando que não levaria a nada.

Em menos de um mês, entretanto, havia sido selecionada, após trocar e-mails com a direção do site, dar entrevistas por Skype e enviar alguns vídeos. “A repercussão do meu caso no Brasil me surpreendeu bastante. Sei o que as pessoas estão falando, mas não estou nem aí. Nunca cogitei mudar de ideia”, ressaltou. / COLABOROU DANIEL CARDOSO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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