A segunda profissão mais antiga?

Estadão

03 Novembro 2010 | 10h39

Dizem que a profissão mais antiga é a prostituição; talvez seja. Mas depois de ler o relato do satirista Luciano de Samósata — escrevendo por volta do ano 180 — sobre os feitos do milagreiro Alexandre, treinado na adolescência por um “curandeiro, do tipo que oferece magias, maravilhosos encantamentos e amuletos para casos amorosos, trazer sofrimento aos inimigos, descobrir tesouros enterrados e herdar propriedades”, vi-me diante de uma séria candidata à segunda posição: falso profeta.

O relato que Luciano faz das imposturas de Alexandre, que usava uma cobra amestrada e uma marionete para se fazer passar por um oráculo de Esculápio, o deus da medicina, é saboroso — ainda mais porque inclui as armadilhas criadas pelo satirista para flagrar respostas falsas do oráculo, e a descrição de como um homem que provou que Alexandre havia errado numa previsão quase foi linchado — e pode ser lido (em inglês) aqui.

(Curiosidade: os principais inimigos de Alexandre eram os “ateus, os epicuristas e os cristãos”).

É interessante como muitos dos truques usados pelo falso profeta para impressionar a população, incluindo capacidade de ler mensagens lacradas e a apresentação de profecias feitas após o fato como sendo anteriores ao evento “previsto”, ainda são usados (e funcionam) hoje em dia.

Atual, também, é o diagnóstico dado por Luciano: “A vida humana está à mercê de duas grandes tiranias, medo e esperança, e qualquer um que possa explorá-las ambas ficaria rico rapidamente”.