Água na arte, na ciência e na vida

Estadão

24 Novembro 2010 | 08h24

Abre nesta sexta-feira, na Oca — no parque o Ibirapuera, em São Paulo — a exposição Água na Oca. Minha colega Karina Ninni, do caderno Planeta, já fez uma bela reportagem sobre o evento, então aqui eu vou basicamente oferecer uma espécie de “tour guiado” pessoal e impressionista, já que na terça-feira visitei a mostra, a convite dos organizadores.

Não estava tudo pronto ainda, mas deu para ver que o projeto é ambicioso, oferecendo  desde interpretações artísticas — incluindo cinco obras de William Pye, o escultor que trabalha “moldando água” — a experiências assustadoras, como o simulador de um barraco em meio a uma enchente, com direito a goteiras no teto, vendaval e som de trovões.

A imagem acima mostra um trecho de uma das obras da seção artística da mostra. De autoria de Gisela Motta e Leandro Lima, Zero Hidrográfico usa lâmpadas azuis e braços mecânicos para recriar a ondulação da superfície do oceano e lembrar que o nível do mar — o ponto zero das escalas de altitude usadas para medir montanhas, planaltos (São Paulo está 760 metros acima do mar), etc. — é, de fato, algo muito dinâmico.

Além das obras de arte — algumas interativas — a mostra tem ainda uma interessantíssima seção informativa, que por si só vale algumas horas de visita.

Além de uma impressionante tela com imagens em movimento de seres abissais (animais que vivem a grandes profundezas), de aquários e de um terrário virtual que exemplifica a relação entre os seres vivos da terra e da água, há uma série de brinquedos interativos.

Aí em cima você vê a tela de uma balança que mostra, em termos comparativos, quanto de água, em peso, há em diferentes seres vivos. Movendo as mãos sobre a balança, é possível mudar o conteúdo de qualquer um dos “pratos” virtuais.

Outra comparação que pode ser feita é a que aparece abaixo, mostrando quanto de água é consumido na produção de diferentes alimentos:

E que nos leva a um outro enfoque da mostra, o educativo. Nessa parte da exibição aprende-se que ao consumir um copo de 200 ml de água o morador de uma casa ou apartamento na verdade está gastando cerca de seis litros (a água bebida, mais a água da descarga da posterior ida ao banheiro)  e que lavar um carro pode consumir 14 litros — com esponja e balde — ou 250 litros — no lava-rápido. Parte desse material vem do Movimento Cyan.

Também há um espaço para a World Community Grid, onde é possível cadastrar computadores pessoais e doar tempo de máquina ocioso para projetos de interesse científico e social —  incluindo alguns envolvendo água, como o que trata do planejamento de políticas de recursos hídricos.

A mostra conta ainda com uma bancada onde estudantes de escolas que agendarem visita poderão realizar experimentos envolvendo água — da observação de micro-organismos em microscópio à eletrólise da água em oxigênio e hidrogênio, e o uso desses gases como fonte de energia.

O Instituto Sangari, organizador da Água na Oca,  espera receber de 100.000 a 120.000 crianças e jovens nesse laboratório, ao longo dos cinco meses e meio de duração da mostra. Sete mil alunos já estão inscritos até o fim de 2010.

O lado de fora da Oca foi decorado para a exposição. Quem se aproxima do prédio vê, primeiro, as janelas opacas:

Mais de perto, nota-se que as aberturas foram convertidas em “escotilhas”, como as de submarinos, com bolhas de ar subindo pela “água”:

A Água na Oca é uma adaptação — e ampliação — da exposição Water: H2O = Life, apresentada em Nova York em 2007. Ela vai de 26 de novembro a 8 de maio de 2011. Funciona às terças, quartas e sextas das 9h às 18h; às quintas, das 9h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 20h. Não abre às segundas e nem nos dias 24, 25, 31 de dezembro, e nem em 1º de janeiro de 2011.

O ingresso custa R$ 20 para o público em geral e R$ 10 para estudantes e professores. No último domingo de cada mês, a entrada é gratuita para todos.  Escolas particulares que queiram agendar visitas guiadas e atividades no laboratório pagam R$ 15 por aluno.