Continuando com o feriado cinematográfico…

Estadão

02 Novembro 2010 | 12h03

No México, Dia de Finados é “El Día de Muertos”, Dia dos Mortos. Expressão que também é o título de um dos filmes da trilogia original de zumbis de George A. Romero, composta por Night of the Living Dead (1968), Dawn of the Dead (1978) e Day of the Dead (1985).

Complementada recentemente por Land of the Dead (2005), a série mostra a ruína da civilização precipitada pela ressurreição maciça dos mortos sob a forma de zumbis canibais — mas causada, em última instância, não pela praga de cadáveres ambulantes, e sim pela estupidez dos humanos que não conseguem pôr seus preconceitos e sua mesquinharia de lado para enfrentar o problema.

Antes de serem redefinidos como uma ameaça à civilização e metáfora para as trágicas limitações da solidariedade humana por Romero, no entanto, zumbis eram cadáveres reanimados por feiticeiros malévolos para realizar missões abomináveis.

Hoje em dia a tradição do zumbi-escravo parece ter sido apagada da cultura popular, mas dois anos antes do filme de Romero a produtora britânica Hammer — de onde saiu a série de filmes de Drácula com Christopher Lee e Peter Cushing — lançava The Plague of the Zombies (1966), uma interpretação ao mesmo tempo castiça e original do tema.

Um exemplo ainda mais antigo dessa versão do mito aparece em White Zombie, de 1932, com Bela Lugosi e considerado o primeiro longa-metragem a apresentar zumbis como os monstros principais.

Talvez o filme ofenda a sensibilidade politicamente correta atual, com o cenário haitiano e os personagens negros caricatos, mas vale pela curiosidade histórica. Com vocês, White Zombie.