Nave espacial da Boeing e estação espacial inflável

Estadão

16 Setembro 2010 | 08h46

Na quarta-feira, a Boeing anunciou uma parceira com a Space Adventures — a mesma empresa que vende passagens a bordo das naves russas Soyuz para levar milionários a  visitas à Estação Espacial Internacional (ISS) — para transportar turistas a bordo de sua futura cápsula espacial, a CST-100.

Espera-se, de acordo com nota divulgada pela empresa, que a CST-100 comece a voar em 2015. Além de ser compatível com a ISS (e, portanto, uma forte candidata ao papel de “táxi espacial” para os astronautas na Nasa), a cápsula da Boeing também está sendo desenvolvida para dar acesso à Estação Espacial Comercial (CSS), projetada pela Bigelow Aerospace.

Fundada pelo magnata do setor hoteleiro Robert Bigelow em 1998, a Bigelow Aerospace foi pioneira na colocação em órbita da Terra de módulos espaciais infláveis — Genesis I e Genesis II,  lançados em 2006 e 2007, respectivamente — que serviram como teste de tecnologias para as chamadas “naves espaciais expansíveis”.

Como a própria Bigelow reconhece em seu website, a ideia de naves infláveis nasceu na Nasa, e chegou a ser estudada como solução para o envio de astronautas a Marte. A ISS poderia ter tido um módulo inflável, não fossem cortes orçamentários impostos ao programa.

A CSS em sua configuração de três módulos. Bigelow Aerospace

A CSS em sua configuração de três módulos. Bigelow Aerospace

A companhia pretende colocar o primeiro módulo da CSS, o inflável Sundancer, no espaço em 2014, um ano antes da estreia prevista do CST-100.  O Sundancer deve ter a capacidade de abrigar uma tripulação permanente de três pessoas, e de suportar uma ocupação temporária por até seis.

Um outro modelo de módulo, o BA 330, terá o dobro da capacidade do Sundancer. O website da Bigelow não menciona uma data para o lançamento dessa versão, mas uma reportagem da revista The Economist, citada da Wikipedia, sugere que isso deve acontecer em 2015.

Uma vez completa, a CSS deverá ser formada por dois módulos tipo Sundancer, o BA 330 e uma central de atracagem. Abaixo, um vídeo promocional da Boeing que ilustra uma viagem da CST-100 à ISS  CSS:

A ideia do presidente Obama, de tirar a Nasa do negócio das viagens tripuladas à órbita terrestre e abrir o campo para a iniciativa privada, parece estar funcionando — embora, claro, seja cedo para afirmar qualquer coisa: se a história da da exploração espacial ensina algo, é a encarar anúncios e declarações de intenção com prudência, quando não ceticismo.

Afinal, quem ainda e lembra da Iniciativa de Exploração Espacial, ou SEI, anunciada pelo presidente George H. Bush em 1989? Por ela, os EUA já teriam uma base permanente na Lua hoje em dia, e talvez já tivessem até chegado a Marte.