Nós, robôs?

Estadão

13 Setembro 2010 | 09h06

Com os avanços da robótica e da computação, cada vez mais decisões estão sendo delegadas a sistemas automáticos. Os exemplos clássicos talvez sejam os algoritmos do Google e os sistemas de comércio eletrônico que “decidem” qual o resultado de busca mais relevante e/ou o que lhe oferecer em seguida, com base nas suas compras anteriores, mas já  existem aplicações de inteligência artificial envolvidas até mesmo na otimização do uso de elevadores.

Uma questão que surge muito naturalmente deste cenário é: que tipos de decisões estamos dispostos a  delegar a esses sistemas? Embora o ponto ainda esteja em debate, um trabalho recente do Instituto de Tecnologia da Georgia acrescentou uma nova camada de complexidade ao problema: que tipos de decisões sobre si mesmos estamos dispostos a permitir que esses sistemas tomem?

No caso específico, a equipe do Georgia Tech criou um algoritmo que permite a robôs decidirem quando mentir. Nesta página há um vídeo no qual um pequeno robô sobre rodas deliberadamente deixa uma trilha falsa para enganar outro robô que vem atrás.

O algoritmo é simples: ele autoriza a máquina a enganar se (1) ela estiver envolvida em um conflito e (2) existir a possibilidade de influenciar as ações do adversário.

Trata-se de uma prova de princípio, com tudo ainda muito primitivo, mas dá para vislumbrar a verdadeira selva filosófica que se descortina: por exemplo, um robô capaz de escolher por conta própria entre dizer a verdade e mentir pode ser considerado um agente moral?

(Alguém poderia argumentar que o robô não escolhe nada “por conta própria”, já que está apenas obedecendo a algoritmos, mas o mesmo argumento pode ser feito em relação aos seres humanos — com a diferença de que, ao menos até o momento, os nossos algoritmos, genéticos e psicológicos, são muito mais complexos.)

Em outro avanço, cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley estão anunciando a criação de uma pele artificial — um material eletrônico capaz de registrar pequenas variações de pressão, efetivamente (mas ainda muito primitivamente) reproduzindo o sentido do tato.

Isso poderá permitir, entre outras coisas, a criação de robôs ou próteses capazes de “sentir” até que ponto é possível apertar um ovo sem quebrá-lo, e até que ponto é possível relaxar o toque sem derrubar o tal ovo no chão.

Ele mente e tem pele artificial, certo?

Ele mente e tem pele artificial, certo?