Olha o Sol de volta!

Estadão

23 Setembro 2010 | 08h47

Nesta quinta-feira, às 00h08, horário de Brasília, o Sol cruzou o equador celeste, retornado ao hemisfério Sul. Foi quando passou pelo equinócio de primavera. O astro tinha começado a voltar em nossa direção no solstício de inverno, três meses atrás.

Os dias em torno do momento do equinócio são os mais bem divididos do ano, com praticamente 12 horas de luz e 12 horas de escuridão. Neles, o Sol atinge sua altura máxima no céu pontualmente (ou quase) ao meio-dia.

Aqui em São Paulo, nos dias 17 e 18 tivemos doze horas e um minuto de Sol, que atingiu sua elevação máxima às 12h01.

Hoje, já teremos doze horas e sete minutos de Sol, que atingirá a elevação máxima às 11h59. A partir de agora, os dias ficarão cada vez mais longos — amanhã serão doze horas e nove minutos de Sol –, até o solstício de verão, em 21 de dezembro, o dia mais longo do ano, com mais de 13 horas de iluminação.

O equador celeste é uma projeção do equador de noss planeta na esfera celeste. Essa esfera, por sua vez, é uma relíquia da antiga astronomia geogêntrica (centrada na Terra), e representa um pano de fundo imaginário, com a forma da superfície interna de uma bola, onde os astros — Sol, planetas, estrelas — estão “grudados”.

Abaixo, uma versão da esfera celeste que encontrei no site da Universidade Federal do Recôncavo Baiano:

Os “PNs” e “PSs” são os polos norte e sul, geográfico e celeste, respectivamente. Note que a trajetória do Sol, a chamada eclíptica, aparece inclinada em relação ao equador.

Há duas  distorções aí, causadas pela nossa herança geocêntrica. Primeiro, não é o Sol que tem uma trajetória ao nosso redor, e sim o contrário: a eclíptica é, na verdade, o plano da órbita da Terra. Além disso, é o eixo da Terra (e, por consequência, o equador) que está inclinado em relação à eclíptica, e não o contrário.

Os equinócios são os pontos em que a curva laranja da eclíptica corta o equador celeste.