Olhe, é Júpiter lá no céu!

Estadão

17 Setembro 2010 | 09h04

Se você andou notando um ponto muito brilhante no céu neste mês, chamando atenção na direção leste, abaixo da Lua, trata-se de Júpiter. O ano de 2010,  e mais especificamente este mês de setembro, é especial na relação entre a Terra e o rei dos planetas do Sistema Solar.

(Se andou olhando para oeste, você pode ter visto dois pontos brilhantes, Vênus, muito intenso, e Marte, mais fraquinho… Além de Spica, a estrela Alfa da constelação de Virgem. Dá para distinguir uma estrela de um planeta notando que as estrelas piscam e os planetas, não.)

Na próxima  terça-feira, 21, Júpiter atinge a chamada oposição — um arranjo no céu que coloca a Terra bem entre o planeta e o Sol. É a melhor configuração que há para observá-lo, já que teremos o Sol às nossas “costas” e Júpiter diretamente sob o grande holofote solar.

Neste ano, a oposição acontece com Júpiter muito próximo (em termos cósmicos, claro) de nós: cerca de 194 milhões de quilômetros mais perto do que a distância média que nos separa do grandalhão — e lembre-se de que menos do que isso, 150 milhões de quilômetros, é a distância entre a Terra e o Sol.

Mesmo assim, ainda estaremos bem distantes dele — separados por 583 milhões de quilômetros.

De qualquer forma, a última vez em que uma oposição ocorreu assim tão perto da Terra foi em 1963! A próxima oportunidade será em 2022.

Encontrar Júpiter no céu nos próximos dias não será difícil. Basta olhar para leste — a direção oposta ao pôr-do-sol — por volta das 18h30. O planeta aparece como um ponto de luz intenso, estável, bem mais brilhante que as estrelas, perdendo em luminosidade, nessa direção, apenas para a Lua, que fica cheia no dia 23.

Galileu conseguiu descobrir quatro das luas de Júpiter com um telescópio simples, há 400 anos. Quem tiver um instrumento como uma luneta ou um bom binóculo pode aproveitar a oposição e tentar encontrá-las:  são Io, Europa, Ganimede e Calisto.

Júpiter, só para lembrar, é o maior planeta do Sistema Solar. Na verdade, um astrônomo alienígena estaria cometendo apenas um pequeno erro de poucas casas decimais se supusesse que o Sistema Solar é formado apenas por dois corpos, o Sol e Júpiter: a massa joviana é 2,5 vezes maior que a de todos os demais planetas somados, incluindo os demais “gigantes” — Saturno, Urano e Netuno.

Júpiter dá uma volta completa em torno do próprio eixo (um “dia”) em menos de dez horas, e realiza uma órbita (um “ano”) a cada 12 anos, aproximadamente. Seu raio é 11 vezes maior que o da Terra e sua gravidade,  cerca de duas vezes maior.

Júpiter, uma presença marcante no céu

Júpiter, uma presença marcante no céu