Sugestão para a Bienal: solargrafia

Estadão

27 Setembro 2010 | 08h04

A imagem acima é uma peça astronômica e uma obra de arte (toda imagem astronômica é, de certa forma, uma obra de arte, claro, mas esta foi mais deliberadamente planejada como tal do que a média). De que se trata?

É uma “solargrafia”, feita ao se manter uma câmera escura — basicamente, uma cilindro preto de plástico, com um furinho mínimo na lateral e papel fotográfico por dentro — apontada para o céu durante seus meses.

As ondas brancas que cortam o campo azul são, como você já deve ter adivinhado, sequências de imagens do Sol, feitas dia após dia. Na solargrafia, o papel fotográfico não é revelado: em vez disso, depois de terminado o período de exposição, ele é escaneado e a imagem, invertida de negativo para positivo num computador.

Esta solargrafia é especialmente nítida, com a onda solar praticamente ininterrupta (isto é, sem longos períodos de dias nublados) porque foi feita num dos lugares mais secos do mundo, o deserto chileno de Atacama. Especificamente, no platô de Chajnantor, onde o Observatório Europeu Sul (ESO) mantém um de seus telescópios.

Em seu website, o ESO explica o processo em mais detalhes. No site da artista finlandesa Tarja Trigg — que conduz um projeto mundial de solargrafia — é possível encontrar não só uma galeria de imagens feitas ao redor do mundo, como um passo-a-passo para criar sua própria câmera.

A imagem de Atacama foi feita entre dezembro de 2009 e junho de 2010.