“Mãozinha materna" aumenta chances de acasalamento de bonobos

Bonobos de maior status são sexualmente mais atraentes. Aqueles de menor status contam com a ajuda da mamãe.

taniager

01 Setembro 2010 | 16h18

Camillo é o bonobo macho de status mais alto de seu grupo. Ele é visto na companhia de sua mãe com frequência. Crédito: cortesia de Caroline Deimel, Lui Kotale Bonobo Project.

Camillo é o bonobo macho de status mais alto de seu grupo. Ele é visto na companhia de sua mãe com frequência. Crédito: cortesia de Caroline Deimel, Lui Kotale Bonobo Project.

O sucesso torna os homens mais atraentes sexualmente. Isto não apenas é verdade para os humanos como também para os animais. Pesquisadores mostraram que os bonobos machos se beneficiam deste fenômeno também. 

Uma equipe de pesquisadores liderados por Gottfried Hohmann do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva descobriu que quanto mais alta é a posição hierárquica de um macho bonobo, maior será seu sucesso no acasalamento com as fêmeas. Mas mesmo os machos que não pertencem a patamares tão altos ainda contam com uma oportunidade para impressionar as fêmeas: o apoio direto de suas mães em conflitos agonísticos pelo acesso às fêmeas no cio.

Martin Surbeck do Instituto Max Planck de Antropologia evolutiva descobriu que a presença das mães aprimora o sucesso de acasalamento de seus filhos e, assim, fazem com que o acasalamento seja mais uniformemente distribuído entre os machos. Como os bonobos machos permanecem em seu grupo natal e as fêmeas adultas têm influência para intervir em conflitos masculinos, o apoio maternal estende-se até a idade adulta e afeta potencialmente o sucesso reprodutivo masculino.

A variação no sucesso de acasalamento do macho é muitas vezes relacionada com diferenças na hierarquia. Alianças com outros machos de seu grupo também ajuda o bonobo incapaz de sozinho monopolizar as fêmeas no cio. Contando com a ajuda, este macho pode afastar os machos de maior status para longe destas fêmeas e, assim, aumentar seu próprio sucesso de acasalamento.

Estudos sobre chimpanzés e golfinhos sugerem que as coligações são independentes de parentesco. Informações de espécies em que as fêmeas permanecem em seu grupo de natal, por outro lado, mostram a importância do apoio de parentes, especialmente das mães, no sucesso reprodutivo de suas filhas. Portanto, se poderia esperar um efeito semelhante em filhos de espécies em que os machos permanecem em seu grupo de natal como os bonobos. “Com nosso estudo nós queríamos descobrir se em bonobos o sucesso de acasalamento dos filhos, de fato, era influenciado pelo apoio que recebiam de suas mães”, diz Martin Surbeck. 

Os pesquisadores avaliaram os determinantes de sucesso de acasalamento nos bonobos machos usando dados de nove machos em uma população selvagem e determinaram as relações de parentesco usando marcadores genéticos. Os resultados revelam um status, uma hierarquia linear de dominação masculina e uma correlação positiva entre o status dominante e o sucesso de acasalamento. Além da hierarquia, a presença das mães certamente aumenta o sucesso de acasalamento dos filhos e assim reduz a proporção de acasalamento pelos machos de status mais alto. 

Mães e filhos parecem ser inseparáveis e mães fornecem ajuda agonística para os filhos em conflitos com outros machos. Como bonobos machos são filopátricos, ou seja, os machos permanecem em seu grupo natal e as fêmeas adultas ocupam a posição mais alta na hierarquia, o apoio materno se estende para a idade adulta. Em decorrência, as fêmeas têm influência para intervir nos conflitos masculinos. A ausência de apoio feminino aos machos independentes sugere que as mães obtêm benefícios indiretos quando apoiam seus filhos “dependentes”.

“As fêmeas não concedem este tipo de apoio aos machos independentes” diz Surbeck. “Provavelmente porque a intenção que esta por trás da ajuda é a de aumentar o número de seus próprios netos”.

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