Alternativa aos antibióticos mostra futuro promissor em testes

Testes mostram como peptídeos antimicrobianos poderiam substituir a penicilina e outros antibióticos.

taniager

08 Junho 2011 | 14h42

Aqui é visto claramente como peptídeos antimicrobianos podem evitar o crescimento da bactéria Streptococcus  que causa a cárie dentária. Crédito: Fraunhofer IZI.

Aqui é visto claramente como peptídeos antimicrobianos podem evitar o crescimento da bactéria Streptococcus que causa a cárie dentária. Crédito: Fraunhofer IZI.

Antibióticos estão entre as grandes conquistas da medicina. Mas estas armas antes potentes na batalha contra doenças infecciosas estão ficando fracas para combater bactérias cada vez mais resistentes. Como alternativa, pesquisadores do Instituto Fraunhofer de Terapia Celular e Imunologia em Leipzig na Alemanha encontraram uma nova arma de efeito eficaz que poderia substituir a penicilina e outros antibióticos. Sem dúvida, peptídeos antimicrobianos poderiam continuar a luta com eficiência em futuro próximo.

O coordenador do Instituto, Andreas Schubert, está otimista quanto aos resultados de estudos orientados para identificar 20 das cadeias curtas de aminoácidos que matam numerosos micróbios, incluindo enterococos, leveduras, bolores, bactérias humanas patogênicas, como a Streptococcus mutan encontrada na boca e responsável pela cárie. Até mesmo o germe hospitalar Staphylococcus aureus multirresistente apresentou crescimento inibido nos testes.

A partir de peptídeos fungicidas e bactericidas conhecidos, os pesquisadores produziram variantes de sequência e as testaram in vitro em vários micróbios. Bactérias putrefativas, por exemplo, foram incubadas por cerca de uma hora com os peptídeos antimicrobianos produzidos artificialmente. Em seus testes, os pesquisadores compararam a sobrevivência do patógeno em relação ao grupo de controle sem tratamento. Os peptídeos utilizados tinham um comprimento inferior a 20 aminoácidos. “Os peptídeos antibióticos exerceram efeito microbicida em poucos minutos”, afirmou Schubert.

Os testes também mostraram que peptídeos são eficazes mesmo em uma concentração de menos de 1 mícron, comparado com aquela de antibióticos convencionais,  de cerca de 10 mícrones. “O espectro dos peptídeos testados inclui não somente as bactérias e fungos, mas também vírus envoltos por lipídeos. O mais fundamental é que os peptídeos não danificaram células saudáveis ??”, disse o cientista.

O sector alimentício também poderia se beneficiar de peptídeos antimicrobianos, dado que a contaminação bacteriana dos produtos alimentares tem um custo elevado à indústria anualmente. Alface fresca e outros vegetais verdes, por exemplo, são muito contaminados por leveduras e bolores. O prazo de validade dos alimentos poderia ser melhorado pela adição de peptídeos antimicrobianos durante o processo de produção.