Anjo ou demônio? Conflito psicológico baseia-se em herança genética

Cientistas descobriram que genes maternos influenciam o comportamento egoístico e genes paternos, o altruístico.

taniager

02 Setembro 2010 | 11h48

Agir egoística ou altruisticamente parece ser uma questão biológica. Ao estudar o impacto que os genes têm sobre nosso comportamento social, cientistas descobriram que genes maternos podem nos tornar egoístas e genes paternos, altruístas. Em decorrência, o resultado da pesquisa mostra que o ser humano é uma coligação de todos os genes em conflito.

A equipe de pesquisa, constituída por cientistas da Universidade de Oxford e da Universidade do Tennessee, EUA, chegou ao resultado do estudo pela análise da impressão genômica – processo pelo qual apenas uma cópia de um dos dois genes herdados do pai ou da mãe é expressa. A variação da expressão de genes depende de qual dos pais eles vieram.

Os pesquisadores explicam que, historicamente, as nossas ancestrais se dispersavam mais do que os homens devido a constantes mudanças de lugar. Por isso, elas se relacionavam menos com seus vizinhos.

Segundo Andy Gardner do departamento de Zoologia da Universidade de Oxford e um dos autores do estudo, como as mulheres se dispersavam mais durante a sua vida do que os homens, como parece ser o caso dos seres humanos ancestrais, um bom relacionamento social de um indivíduo com seus vizinhos pode estar ligado mais à herança paterna do que materna.  

Gardner acrescenta que um conflito é desencadeado dentro do nosso cérebro para determinar qual dos genes será expresso.  Este conflito pode ser entendido como uma luta entre anjo e demônio. “Os genes que você recebe de seu pai estão dizendo para ser gentil com seus vizinhos, enquanto aqueles que você recebe de sua mãe, como um demônio sentado em seu ombro, tenta fazê-lo agir egoisticamente.”

Mutações em genes estampados anteriormente têm sido associadas a distúrbios de crescimento em bebês e, mais recentemente, tem sido sugerido que elas poderiam sustentar as doenças neurológicas como autismo e psicose. Este estudo revela como tais doenças do cérebro social podem evoluir por mutações, favorecendo a expressão de genes paternos (favorecendo altruísmo) ou genes maternos (favorecendo egoísmo). 

A pesquisa revela que a ideia popular de alguém lutando contra seus demônios psicológicos tem alguma base na composição genética. Para Gardner “nós somos todas as coligações de genes em conflito”.