Arco da Corrente de Magalhães é resultado do encontro entre galáxias

Pesquisadores acreditavam que arco de hidrogênio era resultado da força gravitacional exercida pela Via Láctea sobre as nuvens de Magalhães.

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29 Setembro 2010 | 15h09

Este gráfico mostra a distribuição de gás na simulação do Sistema de Magalhães, resultante do encontro das marés entre a Grande Nuvem de Magalhães (LMC) e a Pequena Nuvem de Magalhães (SMC) ao passo que orbitam a Via Láctea. A Corrente de Magalhães é a cauda pronunciada de material que se estende em 150 graus no céu do sul. A linha sólida mostra o caminho calculado da LMC e a pontilhada a SMC. A gama de cores mostra a densidade do gás de hidrogênio que compõem o fluxo e da ponte que liga as duas galáxias anãs. Crédito: CfA.

Este gráfico mostra a distribuição de gás na simulação do Sistema de Magalhães, resultante do encontro das marés entre a Grande Nuvem de Magalhães (LMC) e a Pequena Nuvem de Magalhães (SMC) ao passo que orbitam a Via Láctea. A Corrente de Magalhães é a cauda pronunciada de material que se estende em 150 graus no céu do sul. A linha sólida mostra o caminho calculado da LMC e a pontilhada a SMC. A gama de cores mostra a densidade do gás de hidrogênio que compõem o fluxo e da ponte que liga as duas galáxias anãs. Crédito: CfA.

Alguns pesquisadores acreditavam que o arco de gás hidrogênio da Corrente de Magalhães, abrangendo mais de 100 graus atrás de galáxias vizinhas a nossa, era o resultado da força gravitacional exercida pela Via Láctea sobre a pequena e grande Nuvem de Magalhães. Entretanto, uma simulação realizada por cientistas do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica mostra a explicação está, na verdade, no encontro de galáxias anãs no passado.

“Os modelos tradicionais exigem que as nuvens de Magalhães completem uma órbita em torno da Via Láctea em menos de 2 bilhões de anos para que a Corrente de Magalhães seja formada”, explica Gurtina Besla, responsável pelo trabalho. Contudo, pesquisas paralelas e medições realizadas a partir de informações coletadas pelo Telescópio Espacial Hubble descartam tal órbita, sugerindo que as nuvens são “recém-chegadas”. Não antigos “satélites” da Via Láctea, como se supunha.

Esta constatação estabelece uma nova questão: como a corrente pode ter sido formada sem uma órbita completa em torno da Via Láctea? Para responder esta pergunta, a equipe criou uma simulação, partindo do pressuposto de que as nuvens eram um sistema binário estável em sua primeira passagem sobre a nossa galáxia. Desta maneira, poderiam mostrar como a corrente se formou sem depender do encontro próximo com ela.

Os pesquisadores postularam que o fluxo da ponte e corrente de Magalhães é similar a estruturas da cauda observadas em galáxias que interagem e, sobretudo, formadas antes que as nuvens sejam capturadas pela Via Láctea.

“Já que as nuvens realmente não colidiram, elas chegaram próximas o bastante para que a Grande Nuvem tenha puxado grandes quantidades de gás hidrogênio longe da Pequena Nuvem de Magalhães”, diz Besla. “Essa interação de corrente deu origem à ponte que vemos entre as nuvens, bem como o fluxo”.

O novo modelo mostra que a interação entre galáxias anãs é um mecanismo poderoso para mudar suas formas sem precisar do contato com uma galáxia anfitriã de grande massa como a Via Láctea.  Embora a nossa galáxia não tenha jogado material da corrente para fora das nuvens, sua gravidade agora modela a órbita das nuvens e controla a aparência da cauda.

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