Especialistas analisam bolas de fogo detectadas por astrônomos amadores

É a primeira vez que telescópios terrestres captam objetos relativamente pequenos literalmente queimando na atmosfera de Júpiter.

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09 Setembro 2010 | 17h08

O ponto brilhante em cada uma das imagens de Júpiter representa um pequeno cometa ou asteróide queimando na atmosfera. A imagem da esquerda foi tirada em 03 de junho de 2010, pelo astrônomo amador Anthony Wesley, com um telescópio de 37 centímetros.

O ponto brilhante em cada uma das imagens de Júpiter representa um pequeno cometa ou asteróide queimando na atmosfera. A imagem da esquerda foi tirada em 03 de junho de 2010, pelo astrônomo amador Anthony Wesley, com um telescópio de 37 centímetros.

Uma equipe de astrônomos amadores detectou duas bolas de fogo que iluminaram a atmosfera de Júpiter. É a primeira vez que telescópios terrestres captam objetos relativamente pequenos literalmente queimando na atmosfera do planeta gigante. As duas bolas de fogo – que produzem sardas brilhantes em Júpiter, observáveis de um telescópio no quintal de uma casa – ocorreram nos dias 03 de junho e 20 de agosto de 2010.

De acordo com um estudo liderado por Ricardo Hueso, da Universidade do País Basco, o objeto que causou a bola de fogo do dia 03 devia ter entre 8 e 13 metros de diâmetro – comparável em tamanho ao asteroide RF12 2010 que passou próximo da Terra ontem e ligeiramente maior do que o asteroide 2008 TC3, que passou por cima do Sudão há dois anos.

Embora de tamanhos semelhantes, asteroides podem causar impactos muito diferentes em planetas como a Terra e em planetas como Júpiter. “Júpiter é um grande aspirador de pó de gravidade”, explica Glenn Orton, co-autor do artigo publicado na Astrophysical Journal Letters e astrônomo da NASA’s Jet Propulsion Laboratory em Pasadena. “Está claro agora que objetos relativamente pequenos, remanescentes da formação do sistema solar há 4,5 bilhões de anos, ainda atingem Júpiter frequentemente. Os cientistas estão tentando apenas querendo saber quão frequente”.

De acordo com Orton, a descoberta não seria possível sem a ajuda de inúmeros astrônomos amadores ao redor do mundo, cujas observações fornecem um sistema de vigilância em tempo real, impossível de ser feito com telescópios de grande porte. Foram astrônomos amadores que, em 2009, conseguiram detectar a mancha escura que apareceu em Júpiter, decorrente do impacto que agora está sendo analisado por especialistas.

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