Astrônomos identificam 14 novos objetos transnetunianos

Técnicas mais inteligentes estão permitindo aos astrônomos adicionarem mais informações ao banco de dados do cosmo.

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13 Setembro 2010 | 14h40

Concepção artística de um objeto rochoso do Sistema Solar que pertence a uma classe chamada de objetos transnetunianos. Crédito: NASA, ESA, and G. Bacon (STScI).

Concepção artística de um objeto rochoso do Sistema Solar que pertence a uma classe chamada de objetos transnetunianos. Crédito: NASA, ESA, and G. Bacon (STScI).

A região além da órbita de Netuno é conhecida por abrigar diversas rochas geladas, os objetos transnetunianos. É nesta região que se encontram Pluto, um planeta anão, e de onde partem alguns cometas “famosos” como o Halley. Entretanto, a maioria dos objetos é pequena demais e recebe pouca luz solar, dificultando a sua identificação. Mas técnicas mais inteligentes estão permitindo aos astrônomos adicionarem mais informações ao banco de dados do cosmo: o telescópio espacial Hubble, da NASA, já encontrou 14 novos objetos transnetunianos. De acordo com os pesquisadores, centenas de outros poderão ser detectados em breve.

“Objetos transnetunianos nos interessam porque são blocos que sobraram da formação do Sistema Solar”, explica Cesar Fuentes, pesquisador da Northern Arizona University, que já foi membro da equipe do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics.

Enquanto os objetos transnetunianos orbitam o Sol, eles se movem na frente de um fundo estrelado, aparecendo como raios de luz em sequências de fotografias. Os pesquisadores então desenvolveram um software para analisar as centenas de imagens obtidas pelo Hubble. Depois, as imagens selecionadas pela técnica foram analisadas visualmente por especialistas para confirmar ou refutar as descobertas.

A maioria dos objetos transnetunianos está localizada perto da eclíptica – plano da órbita da Terra ao redor do Sol, linha imaginária no céu que marcaria o plano do Sistema Solar (tendo em vista que o nosso sistema solar foi formado de um disco de matéria). Assim, a equipe procurou informações nos 5 graus da eclíptica, para aumentar as chances de descobrir algo.

O time encontrou 14 objetos, incluindo um binário (dois objetos trans-netunianos orbitando um ao outro, como um sistema Plutão-Caronte em miniatura). Todos eram muito fracos, mais de 100 milhões de vezes mais fracos do que objetos visíveis a olho nu.

Ao medir seu movimento pelo céu, os pesquisadores são capazes de calcular a órbita e a distância, um em relação ao outro. Combinando as distâncias e o brilho, estimam o seu tamanho. Os objetos recém-descobertos têm entre 4 e 10 quilômetros de diâmetro.

Objetos transnetunianos

Planetas tendem a ter órbitas com inclinação baixa. Alguns objetos transnetunianos têm órbitas muito inclinadas (eclíptica alta). Partindo destas informações e da comparação entre inclinações baixas e altas, os pesquisadores desejam saber como o conjunto pode ter evoluído ao longo dos últimos 4,5 bilhões de anos. Geralmente, os menores objetos transnetunianos são restos de um objeto maior. Ao longo dos bilhões de anos, foram “triturados” por milhares de colisões. A equipe acredita que ambas as “populações” (com inclinações baixas e altas) têm histórias muito semelhantes.

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