Descoberta estrutura gigante nunca antes observada na Via Láctea

Novidade pode ser comparada, em termos de importância, à descoberta de um novo continente na Terra.

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10 Novembro 2010 | 11h51

De ponta a ponta, as bolhas recém-descobertas de raios gama se estendem por 50 mil anos-luz, ou aproximadamente metade do diâmetro da Via Láctea, como mostrado nesta ilustração. Crédito: Credit: NASA/GSFC.

De ponta a ponta, as bolhas recém-descobertas de raios gama se estendem por 50 mil anos-luz, ou aproximadamente metade do diâmetro da Via Láctea, como mostrado nesta ilustração. Crédito: Credit: NASA/GSFC.

O telescópio da NASA Fermi Gamma-ray revelou uma estrutura que até então não havia sido vista no centro da Via Láctea. A descoberta pode ser comparada, em termos de importância, à descoberta de um novo continente na Terra. O achado, que se estende por 50 mil anos-luz, pode ser remanescente de uma erupção de um gigante buraco negro no centro de nossa galáxia.

“O que nós vemos são duas bolhas de emissões de raio gama que se estendem a 25 mil anos-luz ao norte e ao sul a partir do centro da galáxia”, diz Doug Finkbeiner, astrônomo do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (Cfa) em Cambridge, Massachusetts. Ele foi o primeiro a identificar a novidade. “Nós não entendemos completamente a natureza ou origem do achado”.

A estrutura abrange mais da metade do céu, da constelação de Virgem até a constelação de Grus e pode ter surgido há milhões de anos. Ela deve ter iludido os astrônomos anteriormente em função da chamada emissão difusa – um nevoeiro de radiação gama que aparece em todo o céu. As emissões são causadas por partículas que se movem quase na mesma velocidade que a da luz, interagindo com o gás interestelar e luz da Via Láctea. A equipe de Harvard está constantemente em busca de novos modelos que descubram novas fontes de raio gama obscurecidas.

A estrutura em forma de halteres (centro) emerge do centro galáctico e se estende de 50 graus norte e sul do plano da Via Láctea, que mede o céu da constelação de Virgem para a constelação de Grus. Crédito: NASA/DOE/Fermi LAT/D. Finkbeiner et al.

A estrutura em forma de halteres (centro) emerge do centro galáctico e se estende de 50 graus norte e sul do plano da Via Láctea, que mede o céu da constelação de Virgem para a constelação de Grus. Crédito: NASA/DOE/Fermi LAT/D. Finkbeiner et al.

Os pesquisadores acreditam que um processo importante para a produção de névoa de raios gama na Via Láctea, conhecido como espalhamento inverso de Compton, também acende as bolhas. Neste processo, os elétrons, movendo-se perto da velocidade da luz, colidem com a luz de baixa energia, como o rádio ou fótons infravermelhos. A colisão aumenta a energia dos fótons na parte de raios gama do espectro eletromagnético. As emissões destas bolhas são muito mais enérgicas que a névoa de raios gama observadas em outros lugares da galáxia.

As bolhas também parecem ter limites bem definidos. Juntas, a forma e a emissão das estruturas sugerem que a estrutura tenha sido formada como resultado de uma liberação muito forte e rápida de energia. Contudo, a fonte ainda é um mistério. Uma possibilidade seria um jato de partículas do buraco negro supermassivo no centro da galáxia, algo observado em outras galáxias. Entretanto, não há evidências de que um buraco negro deste tipo tenha existido na Via Láctea. A estrutura pode também ter sido formada pela saída de gás de uma explosão de formação de estrelas, talvez a única que produziu muitos aglomerados de estrelas maciças na galáxia há muitos milhões de anos.