Astrônomos descobrem sistemas estelares que podem explodir

Estrelas anãs brancas, incrivelmente densas, podem explodir como supernova em cerca de 100 milhões de anos.

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17 Novembro 2010 | 12h52

O sistema binário J0923 3028 é formado por duas estrelas anãs brancas: uma visível, pesando 23% do nosso Sol e com cerca de quatro vezes o diâmetro da Terra, e uma companhia invisível com 44% do peso do Sol e com mesmo diâmetro da Terra. As estrelas estão separadas por cerca de 220 mil milhas e se orbitam uma vez por hora. Crédito: Clayton Ellis (CfA).

O sistema binário J0923 3028 é formado por duas estrelas anãs brancas: uma visível, pesando 23% do nosso Sol e com cerca de quatro vezes o diâmetro da Terra, e uma companhia invisível com 44% do peso do Sol e com mesmo diâmetro da Terra. As estrelas estão separadas por cerca de 220 mil milhas e se orbitam uma vez por hora. Crédito: Clayton Ellis (CfA).

Pesquisadores que descobriram as primeiras estrelas hipervelozes que estão escapando da Via Láctea anunciaram que a equipe também encontrou uma dúzia de sistemas de estrelas duplas. Metade delas estão se fundindo, podendo explodir como uma supernova relativamente cedo em termos astronômicos.

Todas as estrelas binárias encontradas consistem em duas estrelas anãs brancas – incrivelmente densas, já que são o núcleo quente que sobra quando uma estrela do tipo Sol vai gradualmente morrendo.

“Estes sistemas são estranhos: objetos do tamanho da Terra orbitando um ao outro a uma distância menor que a do raio do Sol”, explica Warren Brown, autor dos dois artigos que reportam o achado e astrônomo do Havard-Smithsonian Center. As anãs brancas encontradas nesta pesquisa são leves perto de outras estrelas do mesmo tipo, possuindo apenas cerca de um quinto da massa do Sol. Elas são feitas quase que inteiramente de hélio, diferindo das irmãs feitas basicamente de carbono e oxigênio.

“Essas anãs brancas passaram por um programa de perda de peso dramática”, ressalta Carlos Allende Prieto, astrônomo do Instituto de Astrofísica das Canárias, na Espanha, e co-autor do estudo. “As estrelas estão em órbitas próximas, tais quais as que regem as forças de maré, levando a grandes perdas de massa”. Por que rodopiam quase lado a lado, as anãs brancas afetam o espaço-tempo, criando ondulações conhecidas como ondas gravitacionais (estas, por sua vez, levam embora energia orbital, fazendo com que as estrelas fiquem mais próximas). É esperado que metade destes sistemas se fundam. O mais apertado sistema binário deve se fundir em cerca de 100 milhões de anos.

Quando duas anãs brancas se fundem, a massa combinada pode exceder o ponto de inflexão, ocorrendo uma explosão do tipo supernova Ia. Os pesquisadores acreditam que os sistemas descobertos podem formar um tipo raro de supernova, 100 vezes mais fraca, que ejeta apenas um quinto da matéria.