Detectado primeiro exoplaneta orbitando estrela em outra galáxia

O exoplaneta HIP 13044 b e sua estrela hospedeira parecem ter se originado em uma galáxia anã que foi engolida pela Via Láctea.

taniager

19 Novembro 2010 | 14h12

Impressão artística do exoplaneta HIP 13044b de outra galáxia (à direita) e sua estrela (à esquerda. Crédito: ESO / l. Calçada.

Impressão artística do exoplaneta HIP 13044b de outra galáxia (à direita) e sua estrela (à esquerda. Crédito: ESO / l. Calçada.

Astrônomos identificaram o primeiro exoplaneta orbitando uma gigante vermelha em outra galáxia. A estrela hospedeira pertence a uma galáxia anã que foi engolida por nossa galáxia há bilhões de anos atrás e está no fim de sua vida.  O planeta parecido com Júpiter pode ter sobrevivido à fase de “gigante vermelha” da estrela, a qual oferece um cenário do possível destino do nosso sistema solar no futuro. Os resultados foram publicados ontem no Science Express.

O planeta HIP 13044 b tem uma massa mínima de 1,25 vezes a massa de Júpiter. O sistema de estrelas está localizado cerca de 2000 anos-luz da Terra na posição austral da constelação Fornax (“forno químico”).

O exoplaneta e sua estrela hospedeira parecem ter se originado em uma galáxia anã que foi engolida pela Via Láctea entre seis e nove bilhões de anos atrás. Tal canibalismo galáctico é uma ocorrência comum na evolução de galáxias. Normalmente, restos das galáxias anãs engolidas podem ser detectados em arranjos em forma de fitas de estrelas conhecidos como “fluxos estelares”. Neste caso, o HIP 13044 faz parte do chamado “fluxo Helmi”.

O fato intrigante é o planeta ter sobrevivido à fase de transformação da estrela, na qual ela se esfria e em seguida se expande para um tamanho de centenas de vezes o raio do Sol. Estabelecida agora em uma fase calma, está sendo alimentada por fusão nuclear de hélio que deverá durar alguns milhões de anos. A fase de transformação da estrela espelha o destino de nosso Sol daqui a cinco bilhões de anos.

A equipe de Johny Setiawan do Instituto Max Planck, Alemanha, supõe que a distância entre o HIP 13044 e sua estrela (12% da distância entre a Terra e o Sol) tenha sido maior, antes de o planeta migrar para uma órbita mais próxima durante a fase de transformação da estrela em gigante vermelha. Existem evidências de que planetas na mesma situação não sobreviveram. Como este conseguiu?

A rotação relativamente rápida da gigante vermelha HIP 13044 sugere que ela tenha engolido planetas mais próximos na fase de transformação. E uma nova fase provavelmente irá engolir o planeta.

Outra questão que intriga é a estrela parecer possuir poucos elementos mais pesados que hidrogênio e hélio (ela é extremamente pobre de metais). Outros sistemas planetários possuem estrelas com mais elementos pesados. Este fato é um quebra-cabeça para a concepção da formação de planetas largamente difundida, na qual as estrelas são pensadas possuírem uma grande quantidade de elementos pesados.