Astrônomos especulam sobre estrela "canibal" observada pelo Chandra

O "canibalismo" estelar fornece uma fonte rica para novas hipóteses acerca da interação entre estrelas e planetas durante suas vidas.

taniager

14 Setembro 2010 | 14h49

Estudar este tipo de “canibalismo” estelar pode ajudar os astrônomos a entender melhor como estrelas e planetas interagem conforme envelhecem. Crédito: raios-X (NASA/CXC/RIT/J.Kastner et al), óptica (UCO/Lick/STScI/M.Perrin et al); e Illustration (NASA/CXC/M.Weiss).

Estudar este tipo de “canibalismo” estelar pode ajudar os astrônomos a entender melhor como estrelas e planetas interagem conforme envelhecem. Crédito: raios-X (NASA/CXC/RIT/J.Kastner et al), óptica (UCO/Lick/STScI/M.Perrin et al); e Illustration (NASA/CXC/M.Weiss).

Uma estrela “canibal” engoliu sua estrela companheira, ou um planeta gigante, recentemente. A matéria sobre as evidências obtidas pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA foi divulgada hoje. O fato fornece uma fonte rica para novas hipóteses acerca da interação entre estrelas e planetas durante suas vidas.

A estrela, denominada BP Piscium (BP Psc), é parecida com o Sol, mas apresenta um par de jatos opostos que saem do sistema em direções opostas e também um disco de poeira e gases. Estas características são típicas de estrelas jovens, mas várias evidências combinadas a observações do Chandra sugerem que estas características não são intrínsecas a ela.  

Segundo astrônomos do Instituto Tecnológico Rochester (RIT) e da Universidade da Califórnia (UCLA), EUA, a BP Psc está na fase de gigante vermelha, e portanto é uma estrela velha.  As características observadas decorrem de ela ter acabado de engolir ou uma estrela, ou um planeta gigante próximo.

Estrelas como o Sol se expandem na medida em que queimam seus combustíveis nucleares. A expansão pode engolir os planetas ao redor quando elas se tornam gigantes vermelhas. 

Diversas informações levaram os astrônomos a repensar a velha BP Psc. Em primeiro lugar, ela não está localizada perto de nenhuma nuvem de formação estelar, e não se conhece a existência de estrelas jovens em sua proximidade imediata. Em segundo lugar, em comum com estrelas mais velhas, sua atmosfera contém apenas uma pequena quantidade de lítio. Em terceiro lugar, sua gravidade superficial parece ser demasiada fraca para uma estrela jovem e, ao contrário, corresponde a uma de uma gigante vermelha antiga.

Sabe-se que estrelas jovens possuem massa pequena e emitem mais raios-X e, por esta razão, são mais brilhantes. A BP Psc não poderia ser jovem porque tem baixa emissão  de raios-X e alta rotação como em estrelas gigantes. 

O espectro de emissão de raios-X é consistente com os flashes que ocorrem na superfície da estrela, ou com as interações entre a estrela e o disco em torno dela. A atividade magnética da estrela pode ser gerada pelo dínamo formado por sua rotação rápida. E a rotação rápida pode ser efeito do processo de englobamento.

O coautor do estudo Rodolfo (Rudy) Montez Jr. acredita que a estrela que BP Psc se fortaleceu “com a sua refeição”.

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