Astrônomos estudam interação entre "colar de pérolas" e supernovas

Equipe está mapeando as interações entre a supernova 1987A e um brilhante anel de gás circundando o remanescente da estrela.

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02 Setembro 2010 | 16h43

Equipe liderada pela Universidade do Colorado em Boulder está mapeando as interações entre a supernova 1987A e um brilhante anel de gás circundando o remanescente da estrela. Crédito: NASA.

Equipe liderada pela Universidade do Colorado em Boulder está mapeando as interações entre a supernova 1987A e um brilhante anel de gás circundando o remanescente da estrela. Crédito: NASA.

Observações realizadas com telescópio espacial Hubble de uma supernova que está relativamente próxima da Terra estão fornecendo dados necessários para medir a velocidade e a composição de estrelas ejetadas no espaço após uma explosão. Uma equipe de pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder, nos EUA, detectou brilho significativo emitido pela 1987A, consistente com previsões teóricas sobre como supernovas interagem com o ambiente galáctico imediato.

Descoberta em 1987, a supernova 1987A é a estrela mais próxima da Terra a ser detectada desde 1604. Está localizada na Grande Nuvem de Magalhães – uma galáxia anã próxima da nossa Via Láctea.

Os pesquisadores observaram a supernova em luz de infravermelho próximo, ultravioleta e óptica para mapear a interação entre a explosão estelar e os famosos anéis brilhantes gigantes – cerca de 6 trilhões de milhas de diâmetro – que foram energizados por raios-X e circundam os remanescentes da supernova. O anel de gás foi provavelmente produzido aproximadamente 20 mil anos antes da explosão da supernova, e ondas de choque estão sendo jogados para fora em formatos de pérolas brilhantes. Estes objetos podem crescer e se juntar de forma a produzir apenas um círculo contínuo.

“As novas observações não só dizem quais elementos estão sendo reciclados na Grande Nuvem de Magalhães, mas como ela muda o seu ambiente em escalas de tempo humanas”, explica Kevin France, autor do estudo e pesquisador do centro de astrofísica e astronomia da CU-Boulder. Um artigo com os resultados deste trabalho foi publicado na Science.

Além de estar ejetando grandes quantidades de hidrogênio, a 1987A está expelindo hélio, oxigênio, nitrogênio e raros elementos pesados como o silício, enxofre e ferro. Supernovas são responsáveis por uma grande parte dos elementos biologicamente importantes na Terra. Por este motivo, supõe-se que o ferro no sangue de qualquer indivíduo seja resultado de explosões de supernovas.

Por ter vida curta e intensa, as supernovas chama a atenção de muitos pesquisadores. A entrada de energia resultante de explosões como essas regulam o estado físico e a evolução em longo prazo de galáxias como a nossa. “Nós estamos vendo o efeito que uma supernova pode ter sobre uma galáxia, incluindo a maneira como a energia depositada por essas explosões estelares muda a dinâmica e a química do ambiente”, ressalta France.

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