Atmosfera de Titã pode dar pistas sobre como a vida surgiu na Terra

Pesquisadores demonstram como nitrogênio atmosférico pode ser incorporado a macromoléculas orgânicas, sugerindo modelo para a Terra.

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29 de junho de 2010 | 21h16

Imagem obtida pela sonda Cassini em 15 de outubro de 2007 mostra Saturno com seus anéis, a pequena lua de Epimeteu e a grande Titã. Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

Imagem obtida pela sonda Cassini em 15 de outubro de 2007 mostra Saturno com seus anéis, a pequena lua de Epimeteu e a grande Titã. Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute.

A grande quantidade de nitrogênio na atmosfera da maior lua de Saturno – Titã – pode fornecer pistas sobre a origem da vida terrestre. Em um experimento, pesquisadores da Universidade do Arizona, nos EUA, conseguiram mostrar como o nitrogênio atmosférico pode ser incorporado em macromoléculas orgânicas, sugerindo um modelo para a composição química da Terra “pós-vida”. 

A Terra e Titã são os únicos objetos com dimensões planetárias que têm atmosferas formadas predominantemente por nitrogênio. Ainda é um mistério como complexas moléculas orgânicas se tornaram nitrogenadas. A lua de Saturno é a que mais pode dar pistas sobre este processo, já que o nitrogênio é um elemento essencial à vida. 

Lua laranja 

Para que seja essencial à vida, o nitrogênio precisa estar na “forma” certa. Por isso, a equipe converteu uma mistura de gás de azoto e metano, similar à existente na atmosfera de Titã, em uma coleção de nitrogênio contendo moléculas orgânicas através da irradiação do gás em raios UV de alta energia. O laboratório foi então projetado para imitar a forma como a radiação solar atinge a atmosfera da lua de Saturno. 

A maior parte do nitrogênio se moveu diretamente para dentro dos compostos sólidos em detrimento dos compostos gasosos. Modelos anteriores previram que o nitrogênio se move a partir de compostos gasosos para os sólidos em um prolongado processo. 

“Titan parece laranja porque o nevoeiro de moléculas orgânicas envolve o planeta”, explica Imanaka. “As partículas na névoa serão eventualmente baixadas à superfície e podem estar expostas a condições que poderiam criar a vida”. 

Apesar de tudo indicar que sim, os cientistas não sabem ao certo se as partículas desta névoa de Titã realmente contêm nitrogênio. Caso sejam similares às produzidas no laboratório,  é muito provável que as condições sejam favoráveis à vida, pois partículas poderiam cair em uma superfície teoricamente propícia a evolução de moléculas orgânicas complexas. 

O trabalho “Formation of nitrogenated organic aerosols in the Titan upper atmosphere“, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, foi financiado pela NASA.

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