Capacidade do cérebro filtrar informações diminui com a idade

Trabalho mostra que adultos mais velhos com atenção visual deficiente têm melhor memória para informação “irrelevante”.

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03 Novembro 2010 | 11h00

Um estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, mostra que a atenção visual – a capacidade do cérebro filtrar informações de forma seletiva e autônoma – diminui com a idade. Desta forma, afirmam os cientistas, indivíduos mais velhos têm menos capacidade de filtrar informações irrelevantes.

Mais do que ocorrer uma perda na seleção, isso afeta também a maneira como a informação visual é codificada na memória: adultos mais velhos com atenção visual deficiente têm melhor memória para a informação “irrelevante”.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores examinaram imagens do cérebro usando ressonância magnética funcional de grupos com diferenças faixas-etárias enquanto os indivíduos olhavam fotos de sobreposição de rostos e lugares. Os participantes foram convidados a só prestar atenção aos rostos, identificando o sexo da pessoa. Mesmo que eles pudessem ver o local da imagem, a informação não era relevante para a tarefa.

“Em adultos jovens, a região no cérebro para o processamento de rostos era ativa, enquanto a região do cérebro para os locais de processamento não”, diz Taylor Schmitz, autor principal do trabalho publicado no Journal of Neuroscience. “No entanto, ambas as regiões, face e o local, estavam ativos em pessoas idosas, significando que, mesmo em estágios iniciais de percepção, os idosos são menos capazes de filtrar informações de distração”.  Os pesquisadores também observaram que os adultos mais velhos eram mais propensos a associar as duas informações.

As descobertas sugerem que sob condições que requerem muita atenção (como a procura de uma chave sobre a mesa cheia de objetos, por exemplo), os idosos processam tanto as informações sensoriais relevantes como as irrelevantes na mesma intensidade. Isso pode ter uma forte associação com déficits cognitivos observados durante o envelhecimento normal, principalmente no que diz respeito à memória.