Célula lotada de gordura dispara processo que leva ao diabetes

Células de gordura e de tecidos de pessoas com obesidade mórbida podem atingir um limite na sua capacidade de armazenar gordura.

taniager

09 Novembro 2010 | 19h09

Células de gordura. Crédito: Dr Jaswinder Sethi.

Células de gordura. Crédito: Dr Jaswinder Sethi.

Cientistas descobriram que as células de gordura e de tecidos de pessoas com obesidade mórbida podem atingir um limite na sua capacidade de armazenar gordura apropriadamente. Além deste limite vários processos biológicos conspiram para evitar uma maior expansão do tecido adiposo e no processo podem provocar outros problemas de saúde.

A pesquisa realizada pela equipe de Antonio Vidal-Puig do Instituto de Ciência do Metabolismo da Universidade de Cambridge, Reino Unido, mostra que a proteína SFRP1 produzida pelas células de gordura pode estar envolvida com as alterações do metabolismo do corpo e poderia aumentar o risco de diabetes e doenças cardiovasculares. O trabalho será publicado em uma edição futura de International Journal of Obesity.

Para Jaswinder Sethi também do Instituto, ainda é difícil compreender perfeitamente “como a expansão do tecido adiposo é regulado em pessoas saudáveis e como este processo de regulação pode ser diferente em pessoas obesas que têm problemas de saúde tais como a síndrome metabólica”.

Uma hipótese é que armazenar gordura excedente dentro desta célula não pode levar à síndrome metabólica. Mas, existe um limite máximo de quanta gordura uma pessoa pode armazenar com segurança antes que as respostas naturais do corpo a levem aos problemas crônicos de saúde frequentemente associados com a obesidade.

Os pesquisadores descobriram que o nível de SFRP1 aumenta quando as células de gordura e de tecido aumentam de volume até alcançar o pico no ponto da obesidade leve. Há evidências de que a SFRP1 está envolvida no recrutamento de novas células de gordura, facilitando a expansão do tecido adiposo até este ponto de pico.

“A SFRP1 parece estar muito estreitamente ligada a alguma espécie de ponto, após o qual a maneira como nosso tecido adiposo é regulado, muda significativamente. Então aparecem consequências, como um efeito dominó, para nosso metabolismo como um todo. Nós pensamos que em pessoas muito obesas este pode ser um evento inicial que aciona a síndrome metabólica e os problemas crônicos de saúde associados a ela, tais como diabetes e doenças cardiovasculares”, disse Sethi.

O tecido adiposo das pessoas que são obesas e também têm diabetes mostra sinais de não ser regulado como deveria ser normalmente. Neste tecido, os pesquisadores também observaram uma queda nos níveis de SFRP1 para evitar uma expansão maior. É esta queda de SFRP1 com repercussões no metabolismo que pode explicar em parte a relação entre obesidade mórbida e a síndrome metabólica.

Os pesquisadores acreditam que a SFRP1 trabalha em conjunto com outras moléculas para responder à disponibilidade, ou não, de energia. Juntas essas moléculas também determinam em que medida o nosso tecido adiposo pode continuar a se expandir quando consumimos mais calorias do que queimamos.