Células-tronco do útero regeneram células cerebrais danificadas

Mucosa uterina (endométrio) poderia funcionar como um "estoque de células estaminais" para mulheres que sofrem de mal de Parkinson.

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09 de maio de 2010 | 23h24

Neurônios produzidos a partir de células-tronco do endométrio. Crédito: Yale University.

Neurônios produzidos a partir de células-tronco do endométrio. Crédito: Yale University.

Células-tronco derivadas do endométrio (mucosa uterina) e transplantadas no cérebro de ratos com Parkinson parecem ter reparado células cerebrais danificadas pela doença. Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Yale, nos EUA, acreditam que a técnica poderá futuramente ser usada em mulheres, com a utilização de células do próprio útero.

A doença de Parkinson é causada pelo colapso de células nervosas, produtoras de dopamina (neurotransmissor responsável pelo estímulo de neurônios que controlam os movimentos do corpo), no tronco cerebral. Na experiência, envolvendo coleta e cultura de tecido endometrial de nove mulheres, as células se transformaram em células nervosas que produzem dopamina – tais quais as que tinham sido danificadas pelo problema.

“O nível de dopamina nos ratos aumentou assim que transferimos as células-tronco endometriais para os cérebros”, diz Hugh S. Taylor, autor do estudo publicado no Journal of Cellular and Molecular Medicine. “Isto é encorajador, porque mulheres já têm um estoque pronto de células-tronco que são facilmente obtidas, que podem se diferenciar em outros tipos de células. Elas têm um grande potencial para tratar diversas doenças”.

Além disso, os pesquisadores ressaltam que a técnica não “esbarraria” em questões éticas, referentes à produção de células-tronco a partir de embriões. Diferente de outras células-tronco, as células provenientes do endométrio teriam uma tendência bem menos à rejeição.

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