5 minutos de ressonância podem indicar desordens psicológicas

Seguir as pistas oferecidas pelo método pode aumentar o conhecimento sobre uma série de desordens psicológicas e de desenvolvimento.

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10 Setembro 2010 | 14h27

Pesquisadores mostram que redes cerebrais funcionais têm o potencial de ajudar médicos a sondarem transtornos psiquiátricos e de desenvolvimento. Neste gráfico, regiões que são importantes para avaliar a maturidade do cérebro são mostradas como esferas, com a dimensão da esfera que representa importância relativa da região. Diferentes cores indicam regiões do cérebro como membros de diferentes redes funcionais. As conexões de laranja se fortalecem e as verdes enfraquecem quando o indivíduo avança em direção a vida adulta.

Pesquisadores mostram que redes cerebrais funcionais têm o potencial de ajudar médicos a sondarem transtornos psiquiátricos e de desenvolvimento. Neste gráfico, regiões que são importantes para avaliar a maturidade do cérebro são mostradas como esferas, com a dimensão da esfera que representa importância relativa da região. Diferentes cores indicam regiões do cérebro como membros de diferentes redes funcionais. As conexões de laranja se fortalecem e as verdes enfraquecem quando o indivíduo avança em direção a vida adulta.

Cinco minutos em um scanner podem revelar quão longe um cérebro de uma criança irá da infância até a maturidade, de acordo com cientistas da Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA. Seguir as pistas oferecidas pelo método pode ser uma forma de predizer ou aumentar o conhecimento sobre uma série de desordens psicológicas e de desenvolvimento.

Em um artigo publicado na Science, os pesquisadores demonstram que dados de imagens do cérebro podem oferecer mais recursos no acompanhamento do desenvolvimento cerebral anormal. “Os pediatras regularmente controlam como seus pacientes estão termos de peso, tamanho e outras medidas, comparando as curvas com faixas típicas de desenvolvimento”, diz o autor sênior Bradley Schlaggar. “Quando o paciente se desvia muito fortemente das escalas padronizadas ou vai de repente para outro caminho de desenvolvimento, o médico sabe que há uma necessidade de começar a perguntar o porquê”.

A equipe realizou exames de ressonância magnética em crianças com profundos distúrbios psiquiátricos e não encontrou alterações notáveis. “Isso é tipicamente olhar para os dados de um ponto de vista estrutural, o que é diferente de olhas as formas de várias regiões do cérebro”, explica Schlaggar. “Mas a ressonância também oferece maneiras de analisar como as diferentes partes do cérebro trabalham em conjunto”.

De acordo com a equipe, comparar os dados funcionais com modelos padronizados de como a função cerebral ou como doenças geralmente se desenvolvem seria uma alternativa. Os pesquisadores utilizam uma abordagem de análise cerebral chamada de conectividade funcional em estado de repouso: ao correlacionar os aumentos e diminuições do fluxo sanguíneo para as diferentes regiões do cérebro, os cientistas são capazes de determinar quais locais trabalham juntos em redes.

Organização do cérebro em crianças e em adultos

Em um estudo publicado em 2009, pesquisadores da Universidade de Washington mostraram como cérebro amadurece, e como se dão as alterações nas redes cerebrais. Basicamente, em crianças a conexão é maior em regiões próximas do cérebro, ao passo que na maturidade as redes conectam regiões distantes do órgão.

Levando isso em consideração, o novo estudo tomou algumas distinções que marcam a transição da infância para a maturidade no cérebro, adaptando-as para uma técnica de análise matemática, chamada máquina de vetor de suporte.

“É uma forma que os matemáticos desenvolveram para prever algo com alta especificidade e sensibilidade quando você tem grandes quantidades de dados em vez de uma medida muito boa”, explica Nico Dosenbach, residente de neurologia pediátrica no hospital da universidade. “Qualquer uma dessas medidas não dizem muito, mas se vocês colocarem juntas e usarem a matemática para peneirar e reestruturar, é possível obter bons resultados de predição”.

Então a equipe utilizou dados de scans realizados em apenas cinco minutos de ressonância em 238 indivíduos normais entre sete e 30 anos. A máquina de vetor de suporte analisou aproximadamente 13 mil conexões cerebrais funcionais e selecionou as 200 “melhores” para produzir um único índice de maturidade de cada pessoa. Estas informações permitiram prever se os pacientes eram crianças ou adultos – fornecendo o conhecimento necessário para estabelecer uma curva de desenvolvimento normal do cérebro funcional.

Os pesquisadores acreditam que pacientes com distúrbios cerebrais saem fora desta curva de desenvolvimento. Seria possível, assim, determinar de forma mais precisa o que faz com uma criança com autismo, por exemplo, esteja fora da curva de desenvolvimento normal. A técnica também poderia ajudar a identificar crianças que estão sob risco de desenvolver doenças, mas que ainda não sofrem de desordens de desenvolvimento.

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