Coluna de Psicologia: A nova paternidade e as relações de afeto

Regiane Canoso fala sobre como pais estão adquirindo outras tarefas em resposta ao comprometimento da mulher no mercado de trabalho.

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22 Novembro 2010 | 11h53

A participação do pai no cuidados com os seus filhos é mais recorrente nos dias de hoje devido ao comprometimento das mulheres no mercado de trabalho. Sendo assim, os pais estão adquirindo outras tarefas, com relação aos filhos, principalmente, em relação aos cuidados primários; eles estão mais ativos, exercendo influência direta sobre o desenvolvimento dos filhos. O conceito de “pai cuidador” é definido como “uma nova paternidade em que há um envolvimento maior dos homens-pais nos cuidados dos filhos, acentuando as relações de afetos, a subjetividade e a liberdade no relacionamento familiar”.

Piccinini fala de um novo conceito em relação ao envolvimento paterno, a partir da avaliação do comportamento paterno sob o ponto de vista de três dimensões: interação, acessibilidade à criança e responsabilidade. A primeira diz respeito ao contato direto com o filho, ou seja, são os cuidados e atividades que ambos desenvolvem juntos. A presença ou disponibilidade paterna para possíveis interações com a criança refere-se à acessibilidade.

E por último, a responsabilidade que está ligada ao papel que o pai exerce garantindo cuidados e recursos para a criança. A avaliação do envolvimento paterno abrange aspectos quantitativos, medido através do número de horas que o pai passa com a criança em cuidados, como também qualitativos, como a qualidade e o conteúdo do envolvimento.

Quando o filho aceita o mundo do pai, a ingenuidade que o caracterizava morre. A energia que devotava à mãe protetora se transfere para casa do pai. À segurança da casa materna se contrapõem os riscos envolvidos no enfrentamento do universo paterno. Quando o filho passa a ser pai, ele pode neste momento objetivar o pai, graças ter podido ele mesmo, significar de novo o elemento paterno a partir de sua própria experiência como pai. Tornar-se pai e exercer a paternidade são vivências que podem resolver o problema da humanização da figura paterna, o pai agora pode ser humanizado.

“Para a lua nós podemos olhar demoradamente, sem que fiquemos cegos. Para o sol, contudo, não olhamos diretamente. Olhamos, isto sim, para os objetos que o sol ilumina e cujo significado nos revela. Enquanto oculta-se parcialmente a mãe-lua e revela os demais objetos, o pai sol desperta o interesse por eles e imprime movimento à libido que, por sua vez, irá incidir sobre os objetos como faria o sol”. LIMA FILHO.

Completando a ideia:

“O sol não é para ser encarado, a não ser pelo iniciado; ele é para ser vivido numa atitude de devoção e gratidão, e, se possível, é para ser imitado; dentro dos limites de sua potencialidade, também o homem (ser humano) deve ser tornar uma fonte de atividade irradiante e criativa” (RUDHYAR)

Com os seus limites humanizadores, o pai apresenta ao filho os códigos da sociedade à qual deverá pertencer, mas a confiança e o sentimento de segurança experimentados em relação ao grupo social são heranças da relação erótica com a mãe, fundamento para todo relacionamento.

Só o inquestionável senso de segurança conferido pela proteção no amor de uma mãe (…) e humanizados pelo pai pode deixar a criança apta para suportar a redução do automorfismo infantil, imposto inevitavelmente pelo processo de crescimento no mundo e na sociedade.

No próximo texto farei um amarrado de todos os texto que aqui escrevi… Acredito ser necessário e importante costurar a colcha de retalhos… Até breve!

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Regiane Canoso é psicóloga e estreia sua coluna quinzenal no Ciência Diária a partir de hoje.Regiane L. C. Lopes é psicóloga, especializada em psicologia junguiana e psicologia hospitalar. Assina esta coluna quinzenalmente. Caso tenha sugestões, críticas ou perguntas, mande um e-mail para rcanoso@cienciadiaria.com.br.