Coluna de Psicologia – A importância do pai no destino do filho

Psicóloga Regiane Canoso fala sobre a participação do pai e da mãe como porta-vozes das leis e forças da natureza e dos arquétipos parentais junto aos filhos.

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06 Novembro 2010 | 15h36

A importância do pai no destino do filho, no destino do indivíduo”. Para falar de um assunto tão importante como este, vou destacar a participação do pai e da mãe (ênfase no pai, como já havia explicado nos textos anteriores) como porta-vozes das leis e forças da natureza e dos arquétipos parentais junto aos filhos.

São casualmente, por assim dizer; as pessoas que transmitem à alma infantil, pela primeira vez, aquelas leis misteriosas e poderosas que obrigam e formam não apenas as famílias, mas, sobretudo os povos e a humanidade como um todo.

“Não são leis inventadas pelo espírito do homem, mas as leis e forças da natureza, entre as quais o homem caminha como num fio de navalha”. (JUNG)

Toda criança precisa encontrar o pai além de um plano idealizado, é necessário quebrar o silêncio que envolve pai e filho. Este silêncio que faz o pai se refugiar, tornando-o prisioneiro de um silêncio hereditário que priva os filhos de um reconhecimento e de uma confirmação de sua identidade através do olhar do pai.

Espaço reduzido do pai, mas nem por isso menos eficaz. Para que o filho o reconheça enquanto pai dependerá da mulher abrir espaço para apresentá-lo, porém se a mulher não alimenta outro desejo de que o de seu filho enquanto objeto de gozo, este espaço pode ficar radicalmente obturado.

O pai é ou deveria ser o primeiro estranho que a criança vai encontrar ao nascer, ele se torna o terceiro elemento nesta história de amor. Pela sua simples presença o pai impõe um primeiro elemento de diferenciação, introduzindo um fator de separação entre a mãe e a criança. O segundo elemento de diferenciação está ligado à sexualidade, ao desejar sua mulher o pai se torna homem e coloca um limite à simbiose mãe-criança.

Uma função importante do pai é separar mãe – filho equilibrando o ambiente e a relação, ou seja, é através dele que ocorre a interdição. Sendo assim, é o pai que fará com que a mãe se conscientize de que ela é ela e a criança é a criança estabelecendo, desta maneira, o limite de cada um. Para que isso ocorra é necessário um pai participativo, entrosado, cúmplice e presente com a função de homem e de pai.

Este limite gera uma frustração para criança e libera um espaço interior, tal espaço fará nascer a interioridade da criança, favorecendo a estruturação da psique.

O pai vai ajudar a criança na constituição de uma estrutura interna, permitindo a criança ter acesso à sua agressividade: afirmação de si e capacidade para se defender, acesso à sexualidade, ao sentido de exploração assim como aptidão para a abstração e para a objetivização. Ele facilitará a passagem da criança do mundo da família ao mundo da sociedade.

“A figura individual do pai pessoal é em alto grau moldada pelo cânon cultural que diz ao pai que tipo de pai ele deve ser” (NEUMANN).

É a presença do pai que permite à criança unir os opostos que compõem sua psique. A humanização do pai permite a criança conceber um mundo nos quais as coisas, não são somente pretas e brancas, mas também coloridas. O pai é o mediador de uma relação. O pai determina em que bases, dentro de quais limites e regras, com que qualidades de inserção ou afastamento, com que finalidades, responsabilidades e objetivos as diversas relações do filho com o mundo, com outros indivíduos e consigo mesmo irão se estabelecer. O pai fornece os critérios para que o filho possa discriminar o mundo em categorias, compreendê-lo e utilizá-lo; com isso instaurar o escolhido, o proposital, o eleito, o consciente. Próximo texto: Pai no conceito de “Pai Cuidador”. Até breve…

Regiane Canoso é psicóloga e estreia sua coluna quinzenal no Ciência Diária a partir de hoje.Regiane L. C. Lopes é psicóloga, especializada em psicologia junguiana e psicologia hospitalar. Assina esta coluna quinzenalmente. Caso tenha sugestões, críticas ou perguntas, mande um e-mail para rcanoso@cienciadiaria.com.br.