Impulsividade é aperfeiçoada em região específica do cérebro

Área no cérebro controla o comportamento impulsivo e os mecanismos que afetam a maneira como este comportamento é aprendido.

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21 Setembro 2010 | 17h05

Scott Hayton é o principal pesquisador do trabalho que identificou a parte do cérebro responsável pela impulsividade. Crédito: Queen's University.

Scott Hayton é o principal pesquisador do trabalho que identificou a parte do cérebro responsável pela impulsividade. Crédito: Queen's University.

O comportamento impulsivo pode ser melhorado com treinamento e o aperfeiçoamento é marcado por mudanças específicas no cérebro. De acordo com pesquisadores da Queen’s University, no Canadá, a descoberta pode levar a diagnósticos mais acurados e novos tratamentos de diversas desordens, incluindo o alcoolismo.

A equipe identificou uma área no cérebro que controla o comportamento impulsivo e os mecanismos que afetam a maneira como este comportamento é aprendido. “Na sala de aula, as crianças muitas vezes falam as respostas antes de levantar a mão. Com o tempo, elas aprendem a segurar a língua e levantar a mão até que o professor as chame”, diz Scott Hayton, responsável pelo trabalho. “Queríamos saber como esse tipo de aprendizagem ocorre no cérebro”. O estudo mostra onde “está” este tipo de inibição no cérebro e como ele é codificado.

Os pesquisadores utilizaram ratos treinados para controlar respostas impulsivas até que um sinal fosse apresentado. Os sinais elétricos entre as células no lobo frontal do cérebro ficavam mais fortes à medida que eles aprendiam a controlar seus impulsos. Isso mostra que a impulsividade é representada em uma região específica do cérebro por uma mudança na comunicação entre neurônios.

A impulsividade é frequentemente considerada um traço da personalidade, o que faz uma pessoa diferente da outra. Crianças com dificuldade em aprender a controlar esta resposta têm muitas vezes problemas de comportamento, que se prolongam até a vida adulta. Desta forma, a impulsividade marca também indivíduos com problemas de dependência, transtornos obsessivos-compulsivos e transtorno de déficit de atenção.

“Em condições em que a aprendizagem não ocorre de forma adequada, é possível que esse mecanismo esteja prejudicado”, explica Eric Dumont, que também participou da pesquisa. A identificação da região do cérebro que controla a impulsividade é um passo fundamental no diagnóstico e tratamento destas condições.

Os resultados foram publicados recentemente no The Journal of Neuroscience.